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Não pode ser gay na escola  

Quando eu estava na 5ª série, aos 11 anos, já era bicha (desde sempre, né?) e diferente dos meus amiguinhos, que nem eram tão
amigos assim (andava sempre com as meninas, um clássico da homossexualidade na escola). Por sorte minha, pouca gente tirava
sarro de mim, a maioria me curtia, gostava da minha amizade e não ligava se eu era um pouco mais sensível, mais bicha mesmo. Até
alguns meninos, aqueles da panelinha do futebol, até mesmo eles me respeitavam.
  Modéstia à parte, era porque eu sempre fui bom aluno, mesmo fazendo bagunça e conversando o tempo todo. Não me lembro de uma
ofensa realmente séria por parte de um colega, nem de colegas mais velhos – com exceção de uma vez que um babado meu vazou na
escola (uiii) e não tinha como não comentarem. Fora isso, sempre foi tranquilo na escola – principalmente porque eu passava cola para
uma galera, ajudava em trabalhos...
  Engraçado hoje em dia eu me lembrar que a única pessoa que realmente me criticou e me acuou por ser – e demonstrar ser – gay foi
uma coordenadora pedagógica que, lá nos meus 11 anos, me chamou até a sala dela para conversar comigo. Eu sempre soube que era
gay e nunca achei isso errado, então para mim era comum andar com as outras bichinhas (só na minha sala da 5ª série tinha mais dois)
e fofocar sobre os meninos. Mas para essa coordenadora pedagógica não.
  Qual não foi a minha surpresa quando ela começou a conversar comigo, somente eu e ela na sala, e, em tom de mãe brava com filho
que quebrou o vaso caro da sala, começou a me humilhar, me condenar, dizer que se eu quisesse ser viado, que fosse viado fora da
escola, porque ali não era ambiente para aquilo. “Se vocês quiserem se acariciar, se lamber, problema de vocês, mas aqui não, ok?” Eu
nunca esqueci essa frase, nem uma única palavra, foi exatamente isso o que ela, irritada, disse para uma criança de 11 anos.
  Para minha sorte, acho que eu era já mais assumido do que o Clodovil, então sempre tive certeza de que era diferente, e de que não
havia nada de errado nisso. Com aquela idade eu tinha essa consciência, mas não sabia medir o impacto daquela chamada de atenção
homofóbica que havia levado. Fiquei mais quietinho no intervalo das aulas, menos fervido, fugia dessa coordenadora como o Diabo da
cruz com medo de ser novamente humilhado. Acho que nem sabia direito o que era ser humilhado, mas sabia que não era bom, que me
fazia mal.
  Depois de ter mandado eu com meus amigos nos lambermos fora da escola, essa coordenadora pedagógica ficou de olho em mim, e
eu mais esperto do que nunca para não sair da linha. Continuei sendo gay, continuo sendo gay e não vou deixar de ser, mas terei essa
lembrança ruim de um dia alguém ter me chamado a atenção, “dado um ralo”, como a gente dizia, só porque eu era feliz, alegre, dava
risada alta, conversava efusivamente – ou seja, era bicha.
  Aí hoje eu vi no YouTube um vídeo onde um menino não só é assumido dentro da escola, mas mobiliza os colegas em uma declaração
de amor para seu namorado. Lindo de se ver. É em momentos assim que eu me lembro dessa coordenadora e seu despreparo, me
lembro da pequena sala onde ela ficava, me lembro do tom usado para mandar eu parar de “lamber” os coleguinhas – coisa que eu nem
fazia. Para essa coordenadora, agora eu dedico o vídeo abaixo e digo em alto e bom som: chupa essa, sua vaca intolerante e
despreparada!





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