

www.ambiente.us JULY| JULIO 2010
O poeta está vivo!
Artigo do leitor José Roberto Medeiros do Nascimento
Hoje é um dia triste para os fãs da música de qualidade: completam-se 20 anos da
morte de um dos gênios da música brasileira, o inesquecível Cazuza.
Vocalista e principal letrista da banda Barão Vermelho, ele se tornou um dos ícones
do final do século XX e um grande talento da "Geração 80". Ficou conhecido por ser
rebelde, boêmio e polêmico, tendo declarado em entrevistas que era bissexual.
Em 1989, Cazuza admitiu ser soropositivo e sucumbiu à doença em 1990, no Rio de
Janeiro. Foram cinco anos na briga contra o vírus HIV, depois que apareceram os
primeiros sintomas. Uma luta que durou pouco: no dia 7 de Julho de 1990, foi
confirmado o falecimento do cantor, após uma série de internações em hospitais do
Brasil e dos EUA.
"Cazuza é um gênio atemporal: o poeta continua vivo em sua
arte e em seus ideais, impulsionando o grande barco da
história ".
A carreira do ídolo
Cazuza nasceu em 4 de abril de 1958, no Rio, em um ambiente de classe média. Foi
um adolescente que fumava maconha e fora expulso do Colégio Santo Inácio. Antes
de se tornar cantor, chegou a estudar jornalismo, desistindo na
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primeira semana de aula.
Em janeiro de 1982, foi convidado a integrar o então recém-criado Barão Vermelho, fato que
mudaria não apenas a sua vida, mas também a história da música no Brasil. Como letrista e
vocalista, ele passou a ser a principal atração da banda, gravando três discos com eles antes
de partir para a carreira solo, em agosto de 1985.
Os álbuns individuais (Exagerado, Só se for a dois, Ideologia, O tempo não Pára e Burguesia)
foram considerados pela crítica como alguns dos melhores momentos da música da década
de 80. As letras não falavam apenas de amor, como também faziam duras críticas à realidade
nacional. Canções como "Burguesia", "O Tempo não para" e "Ideologia" serviram de hino para
uma juventude que lutava por um mundo melhor e até hoje são cantadas por aqueles que
sonham mudar a realidade social vigente.
A personalidade do cantor
A sinceridade e transparência sempre foram uma marca de Cazuza. Polêmico, ele nunca
escondeu seus posicionamentos. Como ele mesmo dizia: "eu sou burguês, mas sou artista.
Estou do lado do povo." Ao contrário de outras celebridades, Cazuza nunca escondeu a
doença, encarando de frente todo o preconceito que existe contra os portadores do vírus HIV.
O cantor morreu pesando 38 quilos.
Morreu em termos, pois suas idéias ainda vivem e sua memória irá perdurar enquanto suas
músicas forem ouvidas. Cazuza é um gênio atemporal: o poeta continua vivo em sua arte e
em seus ideais, impulsionando o grande barco da história.
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