ideológicas para uma repressão com "meios mais sofisticados" foram
dadas pelo jurista Rudolf Klare, especialista do Partido Nazista para
assuntos relativos ao homossexualismo; de fato, em seu livro
Homossexualidade e Direito Penal, Klare propunha um reforço das
punições contra "esses indivíduos" que constituem maior perigo para
"o povo, o Estado e a raça"; e sugeria a criação de reformatórios
para as lésbicas. Referia-se também a uma "purificação completa",
através do extermínio necessário de homossexuais - afirmava que "os
degenerados devem ser eliminados para manter a raça pura".
Parece interessante constatar que o livro em questão foi dedicado
ao professor Dr. Erich Schwinge, a quem se deve "o mérito desta
colaboração verdadeiramente fraterna entre professor e discípulo,
sem a qual esta obra não poderia ser realizada num espaço de
tempo tão breve. Eu lhe agradeço muito por isso". Atualmente, o Dr.
Erich Schwinge é professor de Direito Público em Marburg.

Já com uma
cobertura ideológica,
a via legal para a
repressão foi aberta
no dia 1º de setembro
de 1935. Na
primavera desse ano,
a Comissão Penal
Alemã - à qual
pertenciam dois
juristas nazistas como
Freisler e Thiersak -
expusera com prudência sua opinião negativa sobre o eventual
endurecimento na interpretação e aplicação do Artigo 175; um de
seus membros mais competentes, Erich von Spach, recomendou: "O
legislador deve manter a moderação num campo onde grandes
investigações podem provocar grandes prejuízos". Mas na reunião
escritores e homens políticos soviéticos liderados por Kalinim
iniciaram uma violentíssima campanha propagandística contra os
homossexuais, juntando-os a todo tipo de criminosos sociais: os
bandidos, os traidores, os espiões, contra-revolucionários e agentes
do imperialismo. Essa tendência alcançou seu ponto alto em março
de 1934, quando um decreto assinado pelo próprio Kalinim passou a
considerar as relações íntimas entre indivíduos dos sexo masculino
como puníveis com prisão de três a oito anos, conforme a gravidade
daquilo que foi então taxado e enquadrado como "crime".

Gorki escreveu: "Nos países fascistas, o homossexualismo, que é a
ruína dos jovens, floresce impunemente. Já existe até um ditado na
Alemanha (pré-nazista): eliminem-se os homossexuais e o fascismo
prevalecerá". "Entretanto, na noite de 30 de junho de 1934 (apenas
três meses após a aprovação da lei soviética que enterrava, de um
só golpe, todas as conquistas sexuais libertárias da Revolução de
Outubro), o Comando Especial de Himmler, a S.S., invadia a
hospedaria de Bad Wesses, uma estância termal onde estava
reunido o Estado-Maior da S.A, e exterminava quase todos os
presentes.Em poucos dias foram eliminadas outras 200 pessoas,
muitas das quais pouco ou nada tinham a ver com a S.S. ou com seu
chefe, Ernst Roehm. Em função disso, Hitler dizia (em seu discurso de
11 de novembro de 1936 sobre o perigo racial-biológico da
homossexualidade) que não titubeamos em extirpar essa peste com
a própria morte, mesmo entre em nós", quando esse perigo invadiu
também a Alemanha.
www.ambiente.us    MARCH | MARZO 2010

OS GAYS DO III REICH
De Sodoma a Auschwitz, a matança dos homossexuais












Os homossexuais perseguidos pelo Nazismo usavam um Triângulo Rosa sob o
uniforme

Por volta de 1933, Máximo Gorki iniciou uma série de artigos sobre o
"humanismo proletário", sustentando a tese
de que o homossexualismo, enquanto "ruína
dos jovens", era um produto típico do
fascismo e que, portanto, não tinha lugar no
coração do povo. Na mesma época, outros
.
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acontece que sua S.A. andava pregando a necessidade de uma
segunda revolução para arrasar com os capitalistas (que, em troca,
cortejavam Hitler) e com o exército (que a S.A. queria substituir,
contra a opinião do Fuhrer); afinal, os militares eram importantes para
a constituição de uma poderosa Wermacht almejada por Hitler.

Além do mais, a milícia "privada"
de Roehm passara de 300 mil
homens em 1932 para cerca de
3 milhões em dezembro de 1933
e tinha sido um fator decisivo na
escalada de Hitler ao poder.
Roehm era um dos poucos, ou
melhor, o único que podia
chamar o Fuhrer de "você". E,
quando alguém lhe chamava a
atenção para o
comportamento homossexual
de seu lugar-tenente, o Fuhrer
respondia com justificativas do
tipo: "Ah, isso acontece sempre que as pessoas ficam muito entre os
militares. Tornam-se tão idiotas quanto eles. É só colocar Ernst Roehm
no seu ambiente adequado e então tudo isso acabará".

Quando finalmente Roehm foi
acusado, em 1934, com base no
Artigo 175 do Código Penal
Alemão (que punia os atos de
natureza homossexual), o
partido nacional-socialista não
teve qualquer reação negativa:
ao contrário: um indivíduo que
procurou tirar proveito de uma
antiga relação com Roehm foi assassinado pelas S.S.; enquanto
Roehm era defendido e protegido por Heydrich. Mais tarde, a 30 de
janeiro de 1939, ao falar sobre a purificação moral e a saúde
biológica relativamente ao caso Roehm, Hitler disse: "Há cinco anos
atrás, houve alguns membros do partido que se mancharam de culpa
infame e foram fuzilados por esse crime". O caso Roehm foi de
máxima importância na história do Terceiro Reich: serviu de modelo
e inspiração permanente para a luta contra os inimigos do regime ou
adversários pessoais.

Herschel Grynszpan,
jovem judeu que
matou Ernst von Rath
em Paris (1938),
dando aos nazistas
uma boa desculpa
para a “Noite de
Cristal”, onde foram
mortos 35 mil judeus
é descrito como
prostituto homossexual que sabia demais, “detalhe” que foi usado
pelo advogado de defesa, com sucesso, para adiar indefinidamente
seu julgamento por homicídio.

O Artigo 175 foi introduzido na legislação penal alemã no ano de
1871, para punir o "comportamento homossexual entre homens". O
grande estudioso e humanista Magnus Hirschfeld lutou contra ele por
muito tempo, defendendo os direitos dos homossexuais através do
Comitê Científico Humanitário, ao lado de Adolf Brandt, Fritz
Radzuweit e alguns mais. De todo modo, esse Artigo nunca provocou
muitos problemas até o momento em que os nazistas conquistaram o
poder e decidiram usá-lo como arma política e de vingança pessoal.
Em 1933, houve 835 pessoas condenadas a partir de sua aplicação.
                                                                                              Ao centro, o Ernest
                                                                                             Hoehm que vivia
                                                                                             abertamente a sua
                                                                                              homossexualidade
                                                                                              e incomodava o
                                                                                              Partido Nazista.

                                                                                              Em 26 de janeiro
                                                                                              de 1938, o mesmo
                                                                                              argumento foi
                                                                                              repetido por
                                                                                              Goebbels, Ministro
                                                                                              da Propaganda, ao
                                                                                              fazer seu primeiro
                                                                                              ataque declarado à
igreja católica, acusando-a sobretudo de imoralidade. Dizendo que
os membros do clero e dirigentes das organizações juvenis católicas
deveriam, se capazes, adotar a "Ordem" nacional-socialista,
Goebbels afirmou: "Quando, em 1934, certas pessoas pretenderam
fazer no Partido o que se faz nos conventos e entre os padres,
carregando essa imoralidade para nosso meio, nós as eliminamos.
Devemos ser sumamente gratos Fuhrer, que nos livrou dessa peste".
Roehm, o Homossexual poderoso e valente que foi assassinado por
atrapalhar os planos de Hitler, (fotos abaixo e acima)

Mas é bastante provável
que Hitler jamais teria
considerado seu lugar-
tenente Roehm como um
monstro degenerado se
este não tivesse insistido
demais nas idéias radicais
que todos conhecemos;
Em 1934, imediatamente após o caso Roehm, o número subiu para
948; e de repente as cifras enlouquecem: em 1936, foram 5.321 os
condenados; em 1939, já são enviados para os campos de
concentração 24.450 pessoas acusadas de atos homossexuais.

Apesar da lei vigente, as punições contra os homossexuais tinham
sido bastante reduzidas, antes da guerra 1941/18. Após a guerra, o
governo constituído de partidos de esquerda também não aplicava
nenhuma medida repressiva, deixando aos homossexuais a liberdade
de se juntarem e se organizarem um pouco em seus bares, clubes,
saunas ou através de suas revistas. Finalmente, a 16 de outubro de
1929, a Comissão Penal de Reichstag pronunciou-se a favor de uma
eventual supressão do Artigo 175. Referindo-se a essa decisão, o
futuro Ministro da Justiça, Frank, falou a 10 de dezembro do ano
seguinte, para definir como imoral "essa tolerância que se pretende
impingir a todo o povo alemão".














Apesar disso, os próprios nazistas, que tinham muitos homossexuais
em suas fileiras, não apresentaram nenhuma iniciativa mais radical,
nos primeiros anos de existência do seu partido. As premissas
do Partido em Nuremberg Goering tocou no problema pedindo "a
defesa e proteção do sangue e da honra alemã; enquanto isso, Hitler
mostrou-se favorável ao endurecimento do Artigo 175. Schaufler,
Diretor-Geral do Ministério da Justiça enchia-se de alegria: "Foi
preenchida uma séria lacuna".

Passados 26 anos do final da guerra e da abertura dos campos de
concentração ainda não se estabeleceu o número exato de vítimas.
Quanto aos homossexuais, poucos sobreviventes (e muito
raramente) apareceram para reclamar indenizações, pagamentos
ou reabilitações, inclusive porque até poucos anos atrás estavam
ainda ameaçados pela vigência do Artigo 175, dependurado como
uma espada de Dámocles sobre suas cabeças. Assim, a cifra oficial
fala de 50.000 a 80.000 vítimas, mas provavelmente está muito longe
da realidade que, como se pode imaginar, parece ser muito mais
trágica.

(É preciso lembrar, por outro lado, que muitos dos condenados com
base nesse Artigo não eram homossexuais, mas simplesmente
opositores do regime ou inimigos pessoais dos poderosos,
cabendo-lhes, portanto, a acusação considerada mais degradante).

Depois de julgados e condenados,
os violadores do Artigo 175
passavam para as mãos da
Gestapo (a polícia secreta do
Estado) e eram enviados aos
campos de concentração:
Auschwitz, Dachau, Neuengame,
Ravensbruek, Sachsenhausen,
Natsweiler, Bergen-Belsen,
Fuehlsbuettel, Fosenberg e outros
mais: aí eram freqüentemente castrados e mandados para os
os trabalhos mais repugnantes e mais pesados que acabavam
acelerando seu fim: ou então tornavam-se bode expiatório para os
demais companheiros de prisão, que os maltratavam e violentavam.

Não existem muitos documentos sobre o tema, especialmente pela
compreensível aversão dos homossexuais em tornar pública uma
perseguição que a sociedade ainda pretende justificar e perpetuar;
além disso, muitos historiadores manifestaram indiferença ante o
tema, por associarem os homossexuais com delinqüentes "comuns", e
reservaram todo seu interesse para os presos políticos (2 milhões de
vítimas), ou para os judeus (os mais duramente atingidos: 6 milhões
de mortos). Outros motivos dessa ausência de dados: o método
usado pelos responsáveis dos campos de concentração para
esconder seus crimes e, talvez mais importante do que todos os
outros, o fato de que só sobreviveram muito poucos condenados,
que poderiam contar os acontecimentos com mais precisão.

Em todo caso, apesar do esquecimento a respeito, existem raros e
espantosos testemunhos. Eugen Kogon, em seu livro O Estados S.S., diz
apenas: "Sobre o destino reservado (aos homossexuais), só se pode
dizer que foi terrível: estão quase todos mortos".

O médico e escritor Classen Neudegg publicou uma série de artigos
no jornal de Hamburgo, Humanistas; aí ele fala de muitos casos de
que soube ou que viu diretamente: "Os homossexuais já tinham sido
torturados e morriam lentamente de fome ou por excesso de
trabalho, tudo com uma crueldade inimaginável (...). Então a porta
da residência do Comandante se abre e um oficial do nosso grupo
anuncia: "300 imorais serão reunidos por ordem". Fomos registrados e
então percebemos que nosso grupo iria ser isolado numa companhia
de punições mais rigorosas; soubemos também que no dia seguinte
seríamos levados para uma grande fábrica de tijolos, para trabalhos
forçados. A fama dessa fábrica em liquidar com as pessoas era
absolutamente terrível". (A S.S. considerava o trabalho nas fábricas
de tijolos como um terceiro grau de onde não se saía com vida;
Kogon chama-as de "trituradoras"). Von Neudegg conta até mesmo
sobre as experiências com fósforo em pessoas vivas - o que lhes
provocava dores impossíveis de traduzir em palavras".

Nesses campos de concentração, os homossexuais eram marcados
com um triângulo rosa sobre a manga ou sobre o peito, o que servia
para distingüi-los dos presos políticos (triângulo vermelho), dos
ladrões (verde), dos testemunhas de jeová (violeta), dos ciganos
(marrom), dos judeus (amarelo) e dos criminosos (negro). Conforme
relato de uma testemunha no livro de Wolfang Harthauser O grande
tabu, somente no período de sua permanência em Sachsenhausen,
foram eliminados a sangue frio de 300 a 400 homossexuais, mortos
em conseqüência dos trabalhos forçados ou porque chegavam com
os ossos dos braços e pernas quebrados. Apenas no campo número
cinco de Neusustrum, um terço dos prisioneiros era composto de
homossexuais. Num processo contra um guarda acusado de outros
cem homicídios, foi constatado que esse homem era especialista
em lançar potentes jatos de água gelada contra o preso, até
levá-lo à morte. Conta-se aí que suas vítimas preferidas eram os
judeus e os homossexuais.








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