Argentina y, cuando decidimos irnos a vivir a Colombia, pasamos
antes por la ciudad de La Plata a visitarlo. Ahí estaba ella, pero en ese
momento no entraba en mi cabeza que de aquella mujer me iba a
terminar enamorando. Ni de ella, ni de ninguna otra.
“Me casé para irme definitivamente de mi casa, si bien con mi ex
marido teníamos una buena relación y llegué a quererlo, me
empujaron a él los maltratos de mi abuela. Además, a los 18 años
me revelaron un secreto que lo cambió todo: mi mamá era, en
realidad, mi abuela. Mi verdadera madre era a la que yo había
considerado mi hermana durante todos esos años, y a la que no veía
nunca. Nunca supe los motivos de la mentira, pero tampoco me
interesaron. En cuanto pude, me casé y me fui.
“Cuando llegó Norma a Pivijay, luego de su exilio, las cosas
marchaban bien. Nos habíamos hecho grandes amigas y todas las
semanas nos juntábamos en la casa de alguna de las señoras del
pueblo a jugar a las cartas. Nada fuera de lo normal hasta aquel día
del auto, cuando me mordió.
“Lo que siguió se dio todo a las escondidas. Pasó bastante tiempo
hasta que pudimos vivir nuestro amor libremente, pero el sacrificio
valió la pena, así como también los años de relación clandestina y las
culpas de Norma por su marido enfermo. Hoy estamos sumamente
felices y, si bien hay gente que mira raro o no comprende nuestra
relación –como mi verdadera madre–, mi alegría más grande es que
mi hijo nos haya aceptado de la manera tan sincera en que lo hizo.
Hoy los tiempos son distintos. Hoy tenemos el suficiente valor para no
escondernos y demostrarles a todos cuánto nos amamos”.
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escritores e homens políticos soviéticos liderados por Kalinim iniciaram
uma violentíssima campanha propagandística contra os homossexuais,
juntando-os a todo tipo de criminosos sociais: os bandidos, os traidores,
os espiões, contra-revolucionários e agentes do imperialismo. Essa
tendência alcançou seu ponto alto em março de 1934, quando um decreto
assinado pelo próprio Kalinim passou a considerar as relações íntimas
entre indivíduos dos sexo masculino como puníveis com prisão de três a
oito anos, conforme a gravidade daquilo que foi então taxado e
enquadrado como "crime".
Gorki escreveu: "Nos países fascistas, o homossexualismo, que é a ruína
dos jovens, floresce impunemente. Já existe até um ditado na Alemanha
(pré-nazista): eliminem-se os homossexuais e o fascismo prevalecerá".
"Entretanto, na noite de 30 de junho de 1934 (apenas três meses após a
aprovação da lei soviética que enterrava, de um só golpe, todas as
conquistas sexuais libertárias da Revolução de Outubro), o Comando
Especial de Himmler, a S.S., invadia a hospedaria de Bad Wesses, uma
estância termal onde estava reunido o Estado-Maior da S.A, e exterminava
quase todos os presentes.Em poucos dias foram eliminadas outras 200
pessoas, muitas das quais pouco ou nada tinham a ver com a S.S. ou com
seu chefe, Ernst Roehm. Em função disso, Hitler dizia (em seu discurso de
11 de novembro de 1936 sobre o perigo racial-biológico da
homossexualidade) que não titubeamos em extirpar essa peste com a
própria morte, mesmo entre em nós", quando esse perigo invadiu também
a Alemanha.
Ao centro, o Ernest Hoehm que vivia abertamente a sua
homossexualidade e incomodava o Partido Nazista.
Em 26 de janeiro de 1938, o mesmo argumento foi repetido por Goebbels,
Ministro da Propaganda, ao fazer seu primeiro ataque declarado à igreja
católica, acusando-a sobretudo de imoralidade. Dizendo que os membros
do clero e dirigentes das organizações juvenis católicas deveriam, se
capazes, adotar a "Ordem" nacional-socialista, Goebbels afirmou:
"Quando, em 1934, certas pessoas pretenderam fazer no Partido o que se
faz nos conventos e entre os padres, carregando essa imoralidade para
nosso meio, nós as eliminamos. Devemos ser sumamente gratos Fuhrer,
que nos livrou dessa peste". Roehm, o Homossexual poderoso e valente
que foi assassinado por atrapalhar os planos de Hitler, (fotos abaixo e
acima)
Mas é bastante provável que Hitler jamais teria considerado seu lugar-
tenente Roehm como um monstro degenerado se este não tivesse
insistido demais nas idéias radicais que todos conhecemos; acontece
que sua S.A. andava pregando a necessidade de uma segunda revolução
para arrasar com os capitalistas (que, em troca, cortejavam Hitler) e com o
exército (que a S.A. queria substituir, contra a opinião do Fuhrer); afinal, os
militares eram importantes para a constituição de uma poderosa
Wermacht almejada por Hitler.
Além do mais, a milícia "privada" de Roehm passara de 300 mil homens
em 1932 para cerca de 3 milhões em dezembro de 1933 e tinha sido um
fator decisivo na escalada de Hitler ao poder. Roehm era um dos poucos,
ou melhor, o único que podia chamar o Fuhrer de "você". E, quando
alguém lhe chamava a atenção para o comportamento homossexual de
seu lugar-tenente, o Fuhrer respondia com justificativas do tipo: "Ah, isso
acontece sempre que as pessoas ficam muito entre os militares. Tornam-
se tão idiotas quanto eles. É só colocar Ernst Roehm no seu ambiente
adequado e então tudo isso acabará".
Quando finalmente Roehm foi acusado, em 1934, com base no Artigo 175
do Código Penal Alemão (que punia os atos de natureza homossexual), o
partido nacional-socialista não teve qualquer reação negativa: ao contrário:
um indivíduo que procurou tirar proveito de uma antiga relação com
Roehm foi assassinado pelas S.S.; enquanto Roehm era defendido e
protegido por Heydrich. Mais tarde, a 30 de janeiro de 1939, ao falar sobre
a purificação moral e a saúde biológica relativamente ao caso Roehm,
Hitler disse: "Há cinco anos atrás, houve alguns membros do partido que
se mancharam de culpa infame e foram fuzilados por esse crime". O caso
Roehm foi de máxima importância na história do Terceiro Reich: serviu de
modelo e inspiração permanente para a luta contra os inimigos do regime
ou adversários pessoais.
Herschel Grynszpan, jovem judeu que matou Ernst von Rath em Paris
(1938), dando aos nazistas uma boa desculpa para a “Noite de Cristal”,
onde foram mortos 35 mil judeus é descrito como prostituto homossexual
que sabia demais, “detalhe” que foi usado pelo advogado de defesa, com
sucesso, para adiar indefinidamente seu julgamento por homicídio.
O Artigo 175 foi introduzido na legislação penal alemã no ano de 1871,
para punir o "comportamento homossexual entre homens". O grande
estudioso e humanista Magnus Hirschfeld lutou contra ele por muito
tempo, defendendo os direitos dos homossexuais através do Comitê
Científico Humanitário, ao lado de Adolf Brandt, Fritz Radzuweit e alguns
mais. De todo modo, esse Artigo nunca provocou muitos problemas até o
momento em que os nazistas conquistaram o poder e decidiram usá-lo
como arma política e de vingança pessoal. Em 1933, houve 835 pessoas
condenadas a partir de sua aplicação. Em 1934, imediatamente após o
caso Roehm, o número subiu para 948; e de repente as cifras
enlouquecem: em 1936, foram 5.321 os condenados; em 1939, já são
enviados para os campos de concentração 24.450 pessoas acusadas de
atos homossexuais.
Apesar da lei vigente, as punições contra os homossexuais tinham sido
bastante reduzidas, antes da guerra 1941/18. Após a guerra, o governo
constituído de partidos de esquerda também não aplicava nenhuma
medida repressiva, deixando aos homossexuais a liberdade de se
juntarem e se organizarem um pouco em seus bares, clubes, saunas ou
através de suas revistas. Finalmente, a 16 de outubro de 1929, a
Comissão Penal de Reichstag pronunciou-se a favor de uma eventual
supressão do Artigo 175. Referindo-se a essa decisão, o futuro Ministro da
Justiça, Frank, falou a 10 de dezembro do ano seguinte, para definir como
imoral "essa tolerância que se pretende impingir a todo o povo alemão".
Apesar disso, os próprios nazistas, que tinham muitos homossexuais em
suas fileiras, não apresentaram nenhuma iniciativa mais radical, nos
primeiros anos de existência do seu partido. As premissas ideológicas
para uma repressão com "meios mais sofisticados" foram dadas pelo
jurista Rudolf Klare, especialista do Partido Nazista para assuntos
relativos ao homossexualismo; de fato, em seu livro Homossexualidade e
Direito Penal, Klare propunha um reforço das punições contra "esses
indivíduos" que constituem maior perigo para "o povo, o Estado e a raça"; e
sugeria a criação de reformatórios para as lésbicas. Referia-se também a
uma "purificação completa", através do extermínio necessário de
homossexuais - afirmava que "os degenerados devem ser eliminados
para manter a raça pura". Parece interessante constatar que o livro em
questão foi dedicado ao professor Dr. Erich Schwinge, a quem se deve "o
mérito desta colaboração verdadeiramente fraterna entre professor e
discípulo, sem a qual esta obra não poderia ser realizada num espaço de
tempo tão breve. Eu lhe agradeço muito por isso". Atualmente, o Dr. Erich
Schwinge é professor de Direito Público em Marburg.
Já com uma cobertura ideológica, a via legal para a repressão foi aberta
no dia 1º de setembro de 1935. Na primavera desse ano, a Comissão
Penal Alemã - à qual pertenciam dois juristas nazistas como Freisler e
Thiersak - expusera com prudência sua opinião negativa sobre o eventual
endurecimento na interpretação e aplicação do Artigo 175; um de seus
membros mais competentes, Erich von Spach, recomendou: "O legislador
deve manter a moderação num campo onde grandes investigações
podem provocar grandes prejuízos". Mas na reunião do Partido em
Nuremberg Goering tocou no problema pedindo "a defesa e proteção do
sangue e da honra alemã; enquanto isso, Hitler mostrou-se favorável ao
endurecimento do Artigo 175. Schaufler, Diretor-Geral do Ministério da
Justiça enchia-se de alegria: "Foi preenchida uma séria lacuna".
Passados 26 anos do final da guerra e da abertura dos campos de
concentração ainda não se estabeleceu o número exato de vítimas.
Quanto aos homossexuais, poucos sobreviventes (e muito raramente)
apareceram para reclamar indenizações, pagamentos ou reabilitações,
inclusive porque até poucos anos atrás estavam ainda ameaçados pela
vigência do Artigo 175, dependurado como uma espada de Dámocles
sobre suas cabeças. Assim, a cifra oficial fala de 50.000 a 80.000 vítimas,
mas provavelmente está muito longe da realidade que, como se pode
imaginar, parece ser muito mais trágica.
(É preciso lembrar, por outro lado, que muitos dos condenados com base
nesse Artigo não eram homossexuais, mas simplesmente opositores do
regime ou inimigos pessoais dos poderosos, cabendo-lhes, portanto, a
acusação considerada mais degradante).
Depois de julgados e condenados, os violadores do Artigo 175 passavam
para as mãos da Gestapo (a polícia secreta do Estado) e eram enviados
aos campos de concentração: Auschwitz, Dachau, Neuengame,
Ravensbruek, Sachsenhausen, Natsweiler, Bergen-Belsen, Fuehlsbuettel,
Fosenberg e outros mais: aí eram freqüentemente castrados e mandados
para os trabalhos mais repugnantes e mais pesados que acabavam
acelerando seu fim: ou então tornavam-se bode expiatório para os demais
companheiros de prisão, que os maltratavam e violentavam.
Não existem muitos documentos sobre o tema, especialmente pela
compreensível aversão dos homossexuais em tornar pública uma
perseguição que a sociedade ainda pretende justificar e perpetuar; além
disso, muitos historiadores manifestaram indiferença ante o tema, por
associarem os homossexuais com delinqüentes "comuns", e reservaram
todo seu interesse para os presos políticos (2 milhões de vítimas), ou para
os judeus (os mais duramente atingidos: 6 milhões de mortos). Outros
motivos dessa ausência de dados: o método usado pelos responsáveis
dos campos de concentração para esconder seus crimes e, talvez mais
importante do que todos os outros, o fato de que só sobreviveram muito
poucos condenados, que poderiam contar os acontecimentos com mais
precisão.
Em todo caso, apesar do esquecimento a respeito, existem raros e
espantosos testemunhos. Eugen Kogon, em seu livro O Estados S.S., diz
apenas: "Sobre o destino reservado (aos homossexuais), só se pode dizer
que foi terrível: estão quase todos mortos".
O médico e escritor Classen Neudegg publicou uma série de artigos no
jornal de Hamburgo, Humanistas; aí ele fala de muitos casos de que
soube ou que viu diretamente: "Os homossexuais já tinham sido
torturados e morriam lentamente de fome ou por excesso de trabalho, tudo
com uma crueldade inimaginável (...). Então a porta da residência do
Comandante se abre e um oficial do nosso grupo anuncia: "300 imorais
serão reunidos por ordem". Fomos registrados e então percebemos que
nosso grupo iria ser isolado numa companhia de punições mais
rigorosas; soubemos também que no dia seguinte seríamos levados para
uma grande fábrica de tijolos, para trabalhos forçados. A fama dessa
fábrica em liquidar com as pessoas era absolutamente terrível". (A S.S.
considerava o trabalho nas fábricas de tijolos como um terceiro grau de
onde não se saía com vida; Kogon chama-as de "trituradoras"). Von
Neudegg conta até mesmo sobre as experiências com fósforo em
pessoas vivas - o que lhes provocava dores impossíveis de traduzir em
palavras".
Nesses campos de concentração, os homossexuais eram marcados com
um triângulo rosa sobre a manga ou sobre o peito, o que servia para
distingüi-los dos presos políticos (triângulo vermelho), dos ladrões (verde),
dos testemunhas de jeová (violeta), dos ciganos (marrom), dos judeus
(amarelo) e dos criminosos (negro). Conforme relato de uma testemunha
no livro de Wolfang Harthauser O grande tabu, somente no período de sua
permanência em Sachsenhausen, foram eliminados a sangue frio de 300
a 400 homossexuais, mortos em conseqüência dos trabalhos forçados ou
porque chegavam com os ossos dos braços e pernas quebrados. Apenas
no campo número cinco de Neusustrum, um terço dos prisioneiros era
composto de homossexuais. Num processo contra um guarda acusado
de outros cem homicídios, foi constatado que esse homem era
especialista em lançar potentes jatos de água gelada contra o preso, até
levá-lo à morte. Conta-se aí que suas vítimas preferidas eram os judeus e
os homossexuais.
Holocausto gay
Até hoje as indenizações às famílias das vítimas do holocausto guei não
foram efetivadas, apesar da pressão da ONU pelo ressarcimento dos
homossexuais perseguidos pelo III Reich. O problema está no acordo
ratificado pelos bancos e com o próprio responsável, o governo alemão,
que criou diversos empecilhos financeiros. Cerca de 15 mil gueis
condenados e mortos pela hegemonia da raça ariana não têm direito nem
mesmo a um memorial na capital. Recentemente o ex-prefeito de Berlim,
Eberhad Diepgen, negou a grupos ativistas e famílias a construção de um
monumento aos gueis.
Tudo começou em 8 de março de 1933 quando foram instituídos os
primeiros campos de concentração. Berlim, considerada a capital dos
movimentos humanistas e da liberdade homossexual, tornou-se palco de
uma guerra homofóbica e particular. Os pontos de encontro e os cabarés
foram invadidos pelos soldados da Gestapo com suas armas e
licenciados pelo recém-instituído Paragrafo 175 da lei. Homossexuais e
lésbicas foram arrastados aos campos de concentração onde nem ao
menos eram julgados pela justiça, mas sim pelo órgão administrativo da
seção. Os que tinham alguma influência ou "sobrenome" eram
designados para a detenção ou deportação, mas os outros eram
liquidados nos campos. Às lésbicas eram feitas algumas concessões em
virtude de sua natureza como genitoras.
m 1943, Henrich Himmler autorizou a prática da castração dos deportados
homossexuais, quando um grande número de pessoas morreu durante a
intervenção cirúrgica. Os homossexuais sobreviventes eram designados
para as tarefas mais duras em campos de trabalho forçado. Em 1944, os
primeiros campos são dominados pelos aliados, e os homossexuais que
sobreviveram ainda tinham medo de declarar o motivo de sua deportação
por conta dos empecilhos sociais, familiares e de trabalho que viriam em
seguida a um testemunho desta natureza. Para muitos deles, o retorno à
liberdade significava uma auto-censura diante de uma legislação hostil
ainda, período em que a grande maioria se exilou no anonimato. Tudo por
culpa da ausência de uma lei que reconhecesse a perseguição por
orientação sexual, pela fragilidade dos movimentos ativistas gueis nos
anos 70, e pela própria sociedade, inclusive intelectuais, que
escamoteavam uma realidade à qual preferiam fechar os olhos. Porém
uma realidade que estava estampada na memória coletiva.
Em 1982, na França, Pierre Seell, diante de uma nova coação homofóbica,
decide romper o silêncio e revela todo o tipo de sofrimento que passou
nos campos. Um austríaco, Heiz Heger, depõe em seu livro toda a verdade
chocante que se passava por trás dos muros de concentração. Meses
depois, Martin Shermann, judeu e guei, apresenta uma peça onde aborda
pela primeira vez o holocausto guei no teatro. De Londres, a peça foi para
Paris e para a Broadway, onde o mundo conheceria a verdade atrás da
iconografia oficial dos nazistas.
Infelizmente, graças a esta abertura dos primeiros deportados gueis, a
coragem e a atitude das próximas gerações do holocausto nazista, hoje
sabemos que foram 90 a 100 mil gueis e lésbicas presos entre 1933 e
1945, de 10 a 15 mil somente no apogeu do nazismo. Sem falar dos
outros esquecidos como os masons, dos doentes, dos miseráveis, dos
fiéis da Testemunhas de Jeová...
Gays e desertores condenados pelo nazismo serão reabilitados***
da Deutsche Welle, em Berlim
A nova lei da coalizão de social-democratas e verdes, anulando todas as
sentenças nazistas promulgadas contra homossexuais e desertores,
entrará em vigor antes de meados deste ano. A informação foi divulgada
hoje, em Berlim, pelos deputados Alfred Hartenbach (SPD) e Volker Beck
(Partido Verde).
Esta lei irá substituir a legislação de 1998, que previa a suspensão das
sentenças mas exigia a apresentação de provas para cada caso
individual. Hartenbach afirmou que, passados 57 anos depois da Segunda
Guerra Mundial, já era hora de acabar com este "procedimento indigno" e
estender a mão aos que sofreram injustamente.
Segundo as estimativas, durante o regime nazista foram promulgadas
cerca de 500 mil condenações por motivos políticos, militares, religiosos,
racistas e ideológicos. Os tribunais militares condenaram à morte mais de
30 mil desertores da Wehrmacht, o Exército de Hitler.
Cerca de 50 mil homens foram presos e torturados por homossexualismo
na Alemanha nazista, sendo que 15 mil foram arrastados aos campos de
concentração. O parágrafo 175 da lei do Terceiro Reich previa pena de até
dez anos de prisão e reeducação para os gays. As lésbicas não foram
perseguidas. Hoje restam apenas 300 sobreviventes.
Os políticos alemães negaram-se, durante décadas, a promover a
reabilitação dessas vítimas. Em 1998, por exemplo, o governo da coalizão
CDU/CSU e Partido Liberal impediu a aprovação de um projeto de lei para
suspender todas a penas contra os homossexuais.
Em dezembro de 2000, finalmente, o Parlamento Federal decidiu por
unanimidade reabilitar essas vítimas, lamentando também na sua
decisão que o parágrafo 175 da lei nazista - que legitimava a perseguição
de gays - tivesse vigorado na Alemanha até 1969.
* Artigo publicado pela primeira vez em 1972, no Boletim de Cidams, 3.
Posteriormente, várias revistas e jornais do mundo inteiro reproduziram-
no, sobretudo na Itália, Suíça, França e Argentina. A versão aqui
reproduzida foi publicada no site do grupo Nuances de Porta Alegre. **
Artigo extraído do site portal marccelus em Salvador, Bahia, 26/12/09.
*** deutsche welle, berlim. publicado em 01 de fevereiro - confira : http:
//portal.marccelus.com/
Homossexuais na Alemanha Nazista
Os homossexuais constituíam um dos grupos perseguidos pelo regime
nazi. Antes do Terceiro Reich, Berlim era considerada uma cidade liberal,
com bares e cabarés frequentados pela comunidade homossexual.
Magnus Hirschfeld tinha começado aí, um movimento pelos direitos dos
homossexuais durante o virar do século. Contudo, estes movimentos
foram duramente reprimidos pelo Partido Nazi. A ideologia nazi sustentava
que a homossexualidade era incompatível com o Nacional Socialismo, já
que não permitia a reprodução, necessária para perpeturar a raça
superior. Da mesma forma, a masturbação era considerada perniciosa
pelo Reich.
Ernst Röhm, líder da Sturmabteilung, a primeira milícia do Partido Nazi, um
dos homens de confiança de Hitler que o ajudou a ascender ao poder, era
homossexual e foi assassinado em 1934 na Noite das Facas Longas. O
mesmo se passava com outros líderes, como Edmund Heines.
Hitler protegeu, inicialmente, Röhm de outros elementos do Partido Nazi
que consideravam a sua homossexualidade como uma violação grave da
política fortemente homofóbica do partido. Hitler, mais tarde, ao considerar
que esta podia ser, de facto, uma ameaça à consolidação do partido no
poder, autorizou a sua execução na chamada Noite das facas longas.
Durante o holocausto, a perseguição continuou, tendo muitos sido
enviados para campos de concentração. As estimativas sobre o número
de homossexuais mortos nos campos varia muito, entre 5 e 15 mil,
consoante os autores consultados.
O sofrimento dos homossexuais não terminou depois do fim da guerra,
uma vez que as leis anti-homossexuais dos Nazis não foram suprimidas,
tal como aconteceu com as leis anti-semíticas, por exemplo. Alguns
homossexuais foram obrigados a terminar a pena a que estavam
condenados pelo Governo Militar Aliado do pós-guerra na Alemanha.
Outros, ao regressar a casa e aos seus países de origem tiveram que
manter o silêncio sobre o seu sofrimento, por medo de discriminação,
pois as chamadas leis sobre a sodomia só acabariam por cair na Europa
Ocidental nos anos 1960 e 1970.
O Programa Lebensborn cuidava para que o ariano sadio tivesse a sua
descendência assegurada. Mulheres eram incentivadas a ter filhos com
esses homens que representavam a raça pura do Reich de mil anos.
Depois da Primeira Guerra Mundial, no período da história alemão
conhecido como a República de Weimar, a homossexualidade masculina
na Alemanha, particularmente em Berlim, gozavam de maior liberdade e
aceitação do que em qualquer outra parte do mundo. Contudo, a partir da
tomada de poder por Hitler, os gays e, em menor grau, as lésbicas,
passaram a ser dois de entre vários grupos sociais a serem atacados
pelo Partido Nazi, acabando por ser também vítimas do Holocausto.
A partir de 1933, as organizações gays foram banidas, livros académicos
sobre homossexualidade e, mais genericamente, sobre sexualidade
humana, foram queimados, e alguns homossexuais do Partido Nazi foram
assassinados. A Gestapo compilou listas de nomes de homossexuais,
que foram obrigados a adaptar-se à norma sexual Nazi.
Estima-se que em 1928 existiam cerca de 1,2 milhões de homossexuais
na Alemanha. Entre 1933 e 1945, mais de 100 mil homens foram
registados pela polícia como homossexuais (as "Listas Rosa"), e destes,
aproximadamente 50 mil foram oficialmente condenados. A maior parte
destes homens foi aprisionado e entre 5 a 15 mil enviados para campos
de concentração. O investigador Ruediger Lautman acredita que a taxa de
mortalidade de homossexuais presos em campos de concentração
poderá ter atingido os 60%, pois os homossexuais presos nesses
"campos da morte" para além de serem tratados de forma
extraordinariamente cruel pelos guardas, eram também perseguidos
pelos outros prisioneiros.Depois da guerra, o sofrimento dos
homossexuais nos campos de concentração nazi não foi reconhecido em
muitos países, tendo algumas potências aliadas recusado a libertação ou
repatriação destes homens. Alguns dos que ficaram presos, escaparam e
foram de novo presos, baseados em factos ocorridos durante no período
nazi. Apenas nos anos 1980 começaram a surgir governos a reconhecer
os homossexuais como vítimas do Holocausto, e apenas em 2002 o
governo alemão pediu formalmente desculpa à comunidade gay.
Antes do Terceiro Reich, Berlim era considerada uma cidade liberal, com
numerosos cabarés, clubes nocturnos e bares gays, onde berlinenses e
turistas (gays ou não) se divertiam com espectáculos de travesti. Hitler, no
seu livro Mein Kampf, denunciou estes costumes como prostituição, sífilis
e degeneração cultural, responsabilizando parcialmente os judeus. Por
essa época, Berlim era sede das organizações LGBT mais dinâmicas e
activas do mundo. O médico judeu Magnus Hirschfeld fundou em 1897,
com Eduard Oberg, Max Spohr e Franz Josef von Bülow, o Comité Científico
Humanitário (Wissenschaftlich-humanitäre Komitee), com o objectivo de
lutar contra o Parágrafo 175 que ilegalizava as relações sexuais entre
homens e de obter o reconhecimento para os homossexuais e
transgêneros, que é considerada a primeira organização pública de
defesa dos direitos dos gays. Estes progressos da comunidade gay foram
rapidamente eliminados com a chegada ao poder do Partido Nazi de Hitler.
O nazismo declarou a sua incompatibilidade com a homossexualidade
pois os gays não se reproduziam e, logo, não perpetuavam a raça ariana.
Pelas mesmas razões, a masturbação foi também considerada prejudicial
ao Reich, mas seria apenas ligeiramente reprimida. Os nazis temiam
ainda o "contágio" gay. Hitler acreditava que a homossexualidade era um
"comportamento degenerativo" que ameaçava a capacidade do estado e o
"carácter masculino" da nação.
Os homens gays eram denunciados como "inimigos do estado" e
acusados de "corromper" a moral pública e ameaçar o crescimento
populacional alemão. Os líderes nazis, como Himmler, consideravam
também que os homossexuais eram uma raça à parte e promoveram
experiências médicas que tentavam encontrar alguma deficiência
hereditária que muitos membros do partido julgavam ser a causa da
homossexualidade. Enquanto muitos líderes nazis defendiam que os
homossexuais deviam ser exterminados, outros pretendiam legislação
que banisse sexo entre homens ou entre mulheres.
Ernst Röhm, o chefe da SA que Hitler considerava uma ameaça potencial,
manteve a sua homossexualidade oculta até que em 1925 um jornal do
Partido Social Democrático da Alemanha publicou um conjunto das suas
cartas de amor para outros homens. A partir dessa altura, Röhm deixou de
esconder a sua sexualidade (tal como Edmund Heines e outros líderes da
SA), aderindo mesmo à Liga dos Direitos Humanos, a maior organização
alemã de direitos dos homossexuais.
Em 10 de maio de 1933, em Berlim, nazistas queimaram obras de autores
de origem judaica, a biblioteca do Institut für Sexualwissenschaft, e outras
obras consideradas "não-alemãs". Em finais de fevereiro de 1933, à
medida que a influência moderadora de Ernst Röhm enfraquecia, o Partido
Nazista lançou uma expurgo dos clubes homossexuais (gays, lésbicas e
bissexuais, nessa altura conhecidos como "homófilos") de Berlim,
ilegalizou as publicações de conteúdo sexual e baniu as organizações
gays. Em consequência, muita gente abandonou a Alemanha (incluindo,
por exemplo, Erika Mann). Em março de 1933, o principal administrador do
Institut für Sexualwissenschaft (Instituto para o Estudo da Sexualidade),
Kurt Hiller, foi internado num campo de concentração.
www.ambiente.us FEBRUARY | FEBRERO 2010
OS GAYS DO III REICH
De Sodoma a Auschwitz, a matança dos homossexuais
Os homossexuais perseguidos pelo Nazismo usavam um Triângulo Rosa sob o
uniforme
Por volta de 1933, Máximo Gorki iniciou uma série de artigos sobre o "humanismo
proletário", sustentando a tese
de que o homossexualismo, enquanto "ruína
dos jovens", era um produto típico do
fascismo e que, portanto, não tinha lugar no
coração do povo. Na mesma época, outros
con una relación. Con el tiempo, Cachita se separó de su marido, su
hijo se fue con él a Barranquilla y ella comenzó a vivir en nuestra casa.
Lo mío fue todo mucho más costoso y duró varios años, dada la
enfermedad de mi esposo. El era alcohólico, fumaba mucho y, con el
tiempo, se enfermó de cáncer de laringe. Yo sentía mucha culpa por
lo que le pasaba y más por la relación clandestina que llevaba con
Cachita.
¿Ramona te pidió alguna vez que dejaras a Julio por ella?
–No, todo lo contrario. Ella me contenía y me ayudaba a afrontar la
enfermedad de mi marido porque, a pesar de todo, yo seguía con él.
Mientras Julio estaba enfermo, pasamos varios meses sin estar
juntas y entre las dos teníamos que cuidarlo para que no tomara ni
fumara.
¿Qué pasó luego de la muerte de Julio?
–En ese momento comenzamos a construir nuestra relación, aunque me
costó bastante dejar las culpas, y hasta creo que aún hoy me persiguen.
Seguíamos juntas en la casa de Pivijay y la gente nunca hizo ningún
comentario al respecto. Obviamente, la mayoría de nuestros vecinos y
familia sabían de la relación, pero nunca nos faltaron el respeto ni nos
dieron vuelta la cara. Creo que es algo que se imaginaban desde antes de
que muriera mi esposo. Además, el hijo de Cachita lo tomó de maravilla y
hasta me pidió que fuera la testigo de su boda.
Hace doce años que viven en Argentina. ¿Por qué regresaron?
–En principio, para que Ramona se reencuentre con su hijo, que estaba
estudiando aquí, y porque yo necesitaba reconstruir mi pasado.
Realmente, el volver a la Argentina significó un nuevo giro en mi vida y hoy
quiero mostrarme al mundo entero, para que mi historia pueda contribuir a
que la gente no discrimine, ni tome un camino erróneo como yo, siempre
movida por el terror y la culpa.
EL PRESENTE: SALDO DE CUENTAS PENDIENTES, AMOR Y MILITANCIA
¿Por qué motivo volviste al activismo?
–Sin dudas, para saldar las cuentas pendientes con mi país. Aún hoy me
duele haber dejado la Argentina, mi trabajo y mis amigos en el momento
en que más se necesitaba luchar, pero lo vuelvo a repetir: no tuve opción.
Yo hubiese elegido quedarme, por eso me pone muy triste escuchar
comentarios tales como: “¿Vos qué hiciste por el país?, si en la primera de
cambio te fuiste”. No me hace bien revolver nuevamente toda la historia,
pero acá estoy y debo aprender a enfrentarme con mi pasado para poder
curar las heridas. Es por eso que hoy lucho por una Argentina en la que no
se discrimine por elecciones sexuales y para que los jóvenes de hoy no
tengan que ocultarse mañana, como yo lo he hecho.
¿Cómo fue el proceso que culminó con la instauración del primer
centro de Jubilados LGTB de Argentina?
–La iniciativa comenzó cuando todavía estaba en Colombia. Hacía
bastante tiempo que tenía interés de cooperar con todo lo relacionado
con las cuestiones de género, así que no bien llegué a Buenos Aires
comencé a trabajar en ello. Por medio del grupo La Fulana, conocí a
María Rachid y, a través de ella, a Graciela (Balestra) y Silvina (Tealdi),
del grupo Puerta Abierta, que abordaban un tema de gran interés para
mí: la situación de los homosexuales de la tercera edad. Realmente,
sentía una preocupación absoluta por aquellos gays que, como yo,
pisaban los 60. ¿Dónde estaban? ¿Adónde fueron? ¿Se habían
evaporado?
¿Y dónde estaban, finalmente, los homosexuales mayores de 50?
–Escondidos, como en su juventud. En nuestra época las palabras
gay y lesbiana eran tabúes, y muchas de las personas de nuestra
generación arrastraron esa lógica de autodiscriminación.
¿Cuál fue la respuesta que obtuvieron?
–La reacción fue apabullante y exitosa. Formamos una comisión
directiva de nueve jubilados y fui nombrada presidenta del centro. El
tema es que no todos se animan a dar la cara, por miedo a la
reacción de sus familiares; muchos tienen miedo de reconocerse. Es
por eso que, si bien en un principio se inscribió un número de
personas que superó nuestras expectativas, con el tiempo dejaron de
ir por la misma lógica de autocensura y culpa. Pero, como diría
Ramona, no somos cucarachas para escondernos dentro de un
placard. Es por eso que los viejos debemos dejar atrás los tabúes.
El año pasado hiciste, junto a Ramona, la unión civil. ¿Cómo fue ese
momento?

–Todo surgió gracias a la iniciativa de Luis D’Elía, que fue nuestro
testigo. El fue quien nos puso esta idea en la cabeza y nos ayudó a
que podamos concretarla. Acá, en Parque Chas, la respuesta fue
increíble y los vecinos nos hicieron una fiesta.
¿Cómo conociste a Luis D’Elía?
–A Luis lo conocí meses después de instalarnos en Buenos Aires.
Nosotras regresamos a la Argentina en 1998, pero recién seis años
después llegamos a Parque Chas, ya que antes vivíamos en el
pueblo de Goya, Corrientes, donde yo nací. Así fue como me contacté
con la gente de las cooperativas de la Federación Tierra y Vivienda de
Boedo y luego, con ayuda de Luis, instalamos un centro en Parque
Chas. Desde ese entonces, trabajamos en programas de viviendas
con el objetivo de generar espacios dignos de desarrollo, crecimiento
y trabajo para todas las personas. Como tantos compañeros de la
cooperativa, puedo observar que hay presupuesto y programas de
autogestión, pero no se construye nada. Por eso, creo que el
cooperativismo es el único camino para que todo el mundo,
independientemente de su sexo, género y edad, tenga una vivienda
digna.
Volviste a la Argentina por las cuentas pendientes y muchas de
ellas ya están saldadas. ¿Qué otras metas tenés en mente?
–Esta semana comenzamos a poner en condiciones el patio de
nuestra casa, para que funcione como un centro cultural abierto a
todos los que quieran formar parte. Realmente, hace mucho que
quería dedicarme a esto, pero nunca he contado con el tiempo
suficiente. Hoy tengo puestas todas mis energías en enseñar pintura
y hacer mis propios cuadros, ya que no sólo me da satisfacción
enseñar, sino también pintar y reciclar materiales para mis
creaciones. Tengo bastidores hechos hasta con chalas de choclo, y
todo lo que encuentro en la calle me lo traigo para el taller; alguna vez
lo usaré (risas). Por otro lado, tenemos ganas
de casarnos, ya que si bien estamos muy contentas con todo lo que
nos pasa, la unión civil no es suficiente.
Por este motivo, presentaron un recurso de amparo en la Ciudad de
Buenos Aires para poder casarse. ¿Esperan un dictamen favorable
a corto plazo?
–Si fuera por nosotras, nos casaríamos mañana, pero todo lleva su
tiempo. Con Ramona presentamos el pedido de casamiento el día
que hicimos la unión civil y, obviamente, nos dijeron que no. Hace un
mes realizamos, nuevamente, el pedido de matrimonio y nos lo
volvieron a revocar. Es por eso que presentamos un recurso de
amparo y hay que esperar a que termine la feria judicial para que se
produzca el fallo. Yo creo que va a ser favorable, pongo todas las
fichas en eso. Las cosas tienen que cambiar.
El culebrón según Cachita
“¿Qué sentí cuando mi amiga me mordió la oreja? Y... La verdad que
un corrientazo muy fuerte (risas). No me enojé, todo lo contrario, pero
sabía que las cosas no eran igual. En ese sentido, nunca tuve
traumas, lo mío con Norma se dio naturalmente y cuando me empezó
a gustar, no me hice demasiadas preguntas. De todas maneras, tenía
dudas sobre lo que le pasaba a ella. Por eso, una noche en que mi
marido se fue a visitar a su hermana la llamé para que viniera a mi
casa y –al pan, pan y al vino, vino– puse las cosas en su lugar.
Aquella fue nuestra primera vez y aún la recuerdo.
“A Norma la conocí a los 28 años. Las dos estábamos casadas.
Sinceramente, nunca había sentido el deseo de estar con una mujer y
creo que es por las enseñanzas que me inculcó mi familia desde mi
infancia, en Uruguay. De esas cosas no se hablaba. Así fue como me
casé con un colombiano que tenía un primo en
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escritores e homens políticos soviéticos liderados por Kalinim iniciaram
uma violentíssima campanha propagandística contra os homossexuais,
juntando-os a todo tipo de criminosos sociais: os bandidos, os traidores,
os espiões, contra-revolucionários e agentes do imperialismo. Essa
tendência alcançou seu ponto alto em março de 1934, quando um decreto
assinado pelo próprio Kalinim passou a considerar as relações íntimas
entre indivíduos dos sexo masculino como puníveis com prisão de três a
oito anos, conforme a gravidade daquilo que foi então taxado e
enquadrado como "crime".
Gorki escreveu: "Nos países fascistas, o homossexualismo, que é a ruína
dos jovens, floresce impunemente. Já existe até um ditado na Alemanha
(pré-nazista): eliminem-se os homossexuais e o fascismo prevalecerá".
"Entretanto, na noite de 30 de junho de 1934 (apenas três meses após a
aprovação da lei soviética que enterrava, de um só golpe, todas as
conquistas sexuais libertárias da Revolução de Outubro), o Comando
Especial de Himmler, a S.S., invadia a hospedaria de Bad Wesses, uma
estância termal onde estava reunido o Estado-Maior da S.A, e exterminava
quase todos os presentes.Em poucos dias foram eliminadas outras 200
pessoas, muitas das quais pouco ou nada tinham a ver com a S.S. ou com
seu chefe, Ernst Roehm. Em função disso, Hitler dizia (em seu discurso de
11 de novembro de 1936 sobre o perigo racial-biológico da
homossexualidade) que não titubeamos em extirpar essa peste com a
própria morte, mesmo entre em nós", quando esse perigo invadiu também
a Alemanha.
Ao centro, o Ernest Hoehm que vivia abertamente a sua
homossexualidade e incomodava o Partido Nazista.
Em 26 de janeiro de 1938, o mesmo argumento foi repetido por Goebbels,
Ministro da Propaganda, ao fazer seu primeiro ataque declarado à igreja
católica, acusando-a sobretudo de imoralidade. Dizendo que os membros
do clero e dirigentes das organizações juvenis católicas deveriam, se
capazes, adotar a "Ordem" nacional-socialista, Goebbels afirmou:
"Quando, em 1934, certas pessoas pretenderam fazer no Partido o que se
faz nos conventos e entre os padres, carregando essa imoralidade para
nosso meio, nós as eliminamos. Devemos ser sumamente gratos Fuhrer,
que nos livrou dessa peste". Roehm, o Homossexual poderoso e valente
que foi assassinado por atrapalhar os planos de Hitler, (fotos abaixo e
acima)
Mas é bastante provável que Hitler jamais teria considerado seu lugar-
tenente Roehm como um monstro degenerado se este não tivesse
insistido demais nas idéias radicais que todos conhecemos; acontece
que sua S.A. andava pregando a necessidade de uma segunda revolução
para arrasar com os capitalistas (que, em troca, cortejavam Hitler) e com o
exército (que a S.A. queria substituir, contra a opinião do Fuhrer); afinal, os
militares eram importantes para a constituição de uma poderosa
Wermacht almejada por Hitler.
Além do mais, a milícia "privada" de Roehm passara de 300 mil homens
em 1932 para cerca de 3 milhões em dezembro de 1933 e tinha sido um
fator decisivo na escalada de Hitler ao poder. Roehm era um dos poucos,
ou melhor, o único que podia chamar o Fuhrer de "você". E, quando
alguém lhe chamava a atenção para o comportamento homossexual de
seu lugar-tenente, o Fuhrer respondia com justificativas do tipo: "Ah, isso
acontece sempre que as pessoas ficam muito entre os militares. Tornam-
se tão idiotas quanto eles. É só colocar Ernst Roehm no seu ambiente
adequado e então tudo isso acabará".
Quando finalmente Roehm foi acusado, em 1934, com base no Artigo 175
do Código Penal Alemão (que punia os atos de natureza homossexual), o
partido nacional-socialista não teve qualquer reação negativa: ao contrário:
um indivíduo que procurou tirar proveito de uma antiga relação com
Roehm foi assassinado pelas S.S.; enquanto Roehm era defendido e
protegido por Heydrich. Mais tarde, a 30 de janeiro de 1939, ao falar sobre
a purificação moral e a saúde biológica relativamente ao caso Roehm,
Hitler disse: "Há cinco anos atrás, houve alguns membros do partido que
se mancharam de culpa infame e foram fuzilados por esse crime". O caso
Roehm foi de máxima importância na história do Terceiro Reich: serviu de
modelo e inspiração permanente para a luta contra os inimigos do regime
ou adversários pessoais.
Herschel Grynszpan, jovem judeu que matou Ernst von Rath em Paris
(1938), dando aos nazistas uma boa desculpa para a “Noite de Cristal”,
onde foram mortos 35 mil judeus é descrito como prostituto homossexual
que sabia demais, “detalhe” que foi usado pelo advogado de defesa, com
sucesso, para adiar indefinidamente seu julgamento por homicídio.
O Artigo 175 foi introduzido na legislação penal alemã no ano de 1871,
para punir o "comportamento homossexual entre homens". O grande
estudioso e humanista Magnus Hirschfeld lutou contra ele por muito
tempo, defendendo os direitos dos homossexuais através do Comitê
Científico Humanitário, ao lado de Adolf Brandt, Fritz Radzuweit e alguns
mais. De todo modo, esse Artigo nunca provocou muitos problemas até o
momento em que os nazistas conquistaram o poder e decidiram usá-lo
como arma política e de vingança pessoal. Em 1933, houve 835 pessoas
condenadas a partir de sua aplicação. Em 1934, imediatamente após o
caso Roehm, o número subiu para 948; e de repente as cifras
enlouquecem: em 1936, foram 5.321 os condenados; em 1939, já são
enviados para os campos de concentração 24.450 pessoas acusadas de
atos homossexuais.
Apesar da lei vigente, as punições contra os homossexuais tinham sido
bastante reduzidas, antes da guerra 1941/18. Após a guerra, o governo
constituído de partidos de esquerda também não aplicava nenhuma
medida repressiva, deixando aos homossexuais a liberdade de se
juntarem e se organizarem um pouco em seus bares, clubes, saunas ou
através de suas revistas. Finalmente, a 16 de outubro de 1929, a
Comissão Penal de Reichstag pronunciou-se a favor de uma eventual
supressão do Artigo 175. Referindo-se a essa decisão, o futuro Ministro da
Justiça, Frank, falou a 10 de dezembro do ano seguinte, para definir como
imoral "essa tolerância que se pretende impingir a todo o povo alemão".
Apesar disso, os próprios nazistas, que tinham muitos homossexuais em
suas fileiras, não apresentaram nenhuma iniciativa mais radical, nos
primeiros anos de existência do seu partido. As premissas ideológicas
para uma repressão com "meios mais sofisticados" foram dadas pelo
jurista Rudolf Klare, especialista do Partido Nazista para assuntos
relativos ao homossexualismo; de fato, em seu livro Homossexualidade e
Direito Penal, Klare propunha um reforço das punições contra "esses
indivíduos" que constituem maior perigo para "o povo, o Estado e a raça"; e
sugeria a criação de reformatórios para as lésbicas. Referia-se também a
uma "purificação completa", através do extermínio necessário de
homossexuais - afirmava que "os degenerados devem ser eliminados
para manter a raça pura". Parece interessante constatar que o livro em
questão foi dedicado ao professor Dr. Erich Schwinge, a quem se deve "o
mérito desta colaboração verdadeiramente fraterna entre professor e
discípulo, sem a qual esta obra não poderia ser realizada num espaço de
tempo tão breve. Eu lhe agradeço muito por isso". Atualmente, o Dr. Erich
Schwinge é professor de Direito Público em Marburg.
Já com uma cobertura ideológica, a via legal para a repressão foi aberta
no dia 1º de setembro de 1935. Na primavera desse ano, a Comissão
Penal Alemã - à qual pertenciam dois juristas nazistas como Freisler e
Thiersak - expusera com prudência sua opinião negativa sobre o eventual
endurecimento na interpretação e aplicação do Artigo 175; um de seus
membros mais competentes, Erich von Spach, recomendou: "O legislador
deve manter a moderação num campo onde grandes investigações
podem provocar grandes prejuízos". Mas na reunião do Partido em
Nuremberg Goering tocou no problema pedindo "a defesa e proteção do
sangue e da honra alemã; enquanto isso, Hitler mostrou-se favorável ao
endurecimento do Artigo 175. Schaufler, Diretor-Geral do Ministério da
Justiça enchia-se de alegria: "Foi preenchida uma séria lacuna".
Passados 26 anos do final da guerra e da abertura dos campos de
concentração ainda não se estabeleceu o número exato de vítimas.
Quanto aos homossexuais, poucos sobreviventes (e muito raramente)
apareceram para reclamar indenizações, pagamentos ou reabilitações,
inclusive porque até poucos anos atrás estavam ainda ameaçados pela
vigência do Artigo 175, dependurado como uma espada de Dámocles
sobre suas cabeças. Assim, a cifra oficial fala de 50.000 a 80.000 vítimas,
mas provavelmente está muito longe da realidade que, como se pode
imaginar, parece ser muito mais trágica.
(É preciso lembrar, por outro lado, que muitos dos condenados com base
nesse Artigo não eram homossexuais, mas simplesmente opositores do
regime ou inimigos pessoais dos poderosos, cabendo-lhes, portanto, a
acusação considerada mais degradante).
Depois de julgados e condenados, os violadores do Artigo 175 passavam
para as mãos da Gestapo (a polícia secreta do Estado) e eram enviados
aos campos de concentração: Auschwitz, Dachau, Neuengame,
Ravensbruek, Sachsenhausen, Natsweiler, Bergen-Belsen, Fuehlsbuettel,
Fosenberg e outros mais: aí eram freqüentemente castrados e mandados
para os trabalhos mais repugnantes e mais pesados que acabavam
acelerando seu fim: ou então tornavam-se bode expiatório para os demais
companheiros de prisão, que os maltratavam e violentavam.
Não existem muitos documentos sobre o tema, especialmente pela
compreensível aversão dos homossexuais em tornar pública uma
perseguição que a sociedade ainda pretende justificar e perpetuar; além
disso, muitos historiadores manifestaram indiferença ante o tema, por
associarem os homossexuais com delinqüentes "comuns", e reservaram
todo seu interesse para os presos políticos (2 milhões de vítimas), ou para
os judeus (os mais duramente atingidos: 6 milhões de mortos). Outros
motivos dessa ausência de dados: o método usado pelos responsáveis
dos campos de concentração para esconder seus crimes e, talvez mais
importante do que todos os outros, o fato de que só sobreviveram muito
poucos condenados, que poderiam contar os acontecimentos com mais
precisão.
Em todo caso, apesar do esquecimento a respeito, existem raros e
espantosos testemunhos. Eugen Kogon, em seu livro O Estados S.S., diz
apenas: "Sobre o destino reservado (aos homossexuais), só se pode dizer
que foi terrível: estão quase todos mortos".
O médico e escritor Classen Neudegg publicou uma série de artigos no
jornal de Hamburgo, Humanistas; aí ele fala de muitos casos de que
soube ou que viu diretamente: "Os homossexuais já tinham sido
torturados e morriam lentamente de fome ou por excesso de trabalho, tudo
com uma crueldade inimaginável (...). Então a porta da residência do
Comandante se abre e um oficial do nosso grupo anuncia: "300 imorais
serão reunidos por ordem". Fomos registrados e então percebemos que
nosso grupo iria ser isolado numa companhia de punições mais
rigorosas; soubemos também que no dia seguinte seríamos levados para
uma grande fábrica de tijolos, para trabalhos forçados. A fama dessa
fábrica em liquidar com as pessoas era absolutamente terrível". (A S.S.
considerava o trabalho nas fábricas de tijolos como um terceiro grau de
onde não se saía com vida; Kogon chama-as de "trituradoras"). Von
Neudegg conta até mesmo sobre as experiências com fósforo em
pessoas vivas - o que lhes provocava dores impossíveis de traduzir em
palavras".
Nesses campos de concentração, os homossexuais eram marcados com
um triângulo rosa sobre a manga ou sobre o peito, o que servia para
distingüi-los dos presos políticos (triângulo vermelho), dos ladrões (verde),
dos testemunhas de jeová (violeta), dos ciganos (marrom), dos judeus
(amarelo) e dos criminosos (negro). Conforme relato de uma testemunha
no livro de Wolfang Harthauser O grande tabu, somente no período de sua
permanência em Sachsenhausen, foram eliminados a sangue frio de 300
a 400 homossexuais, mortos em conseqüência dos trabalhos forçados ou
porque chegavam com os ossos dos braços e pernas quebrados. Apenas
no campo número cinco de Neusustrum, um terço dos prisioneiros era
composto de homossexuais. Num processo contra um guarda acusado
de outros cem homicídios, foi constatado que esse homem era
especialista em lançar potentes jatos de água gelada contra o preso, até
levá-lo à morte. Conta-se aí que suas vítimas preferidas eram os judeus e
os homossexuais.
Holocausto gay
Até hoje as indenizações às famílias das vítimas do holocausto guei não
foram efetivadas, apesar da pressão da ONU pelo ressarcimento dos
homossexuais perseguidos pelo III Reich. O problema está no acordo
ratificado pelos bancos e com o próprio responsável, o governo alemão,
que criou diversos empecilhos financeiros. Cerca de 15 mil gueis
condenados e mortos pela hegemonia da raça ariana não têm direito nem
mesmo a um memorial na capital. Recentemente o ex-prefeito de Berlim,
Eberhad Diepgen, negou a grupos ativistas e famílias a construção de um
monumento aos gueis.
Tudo começou em 8 de março de 1933 quando foram instituídos os
primeiros campos de concentração. Berlim, considerada a capital dos
movimentos humanistas e da liberdade homossexual, tornou-se palco de
uma guerra homofóbica e particular. Os pontos de encontro e os cabarés
foram invadidos pelos soldados da Gestapo com suas armas e
licenciados pelo recém-instituído Paragrafo 175 da lei. Homossexuais e
lésbicas foram arrastados aos campos de concentração onde nem ao
menos eram julgados pela justiça, mas sim pelo órgão administrativo da
seção. Os que tinham alguma influência ou "sobrenome" eram
designados para a detenção ou deportação, mas os outros eram
liquidados nos campos. Às lésbicas eram feitas algumas concessões em
virtude de sua natureza como genitoras.
m 1943, Henrich Himmler autorizou a prática da castração dos deportados
homossexuais, quando um grande número de pessoas morreu durante a
intervenção cirúrgica. Os homossexuais sobreviventes eram designados
para as tarefas mais duras em campos de trabalho forçado. Em 1944, os
primeiros campos são dominados pelos aliados, e os homossexuais que
sobreviveram ainda tinham medo de declarar o motivo de sua deportação
por conta dos empecilhos sociais, familiares e de trabalho que viriam em
seguida a um testemunho desta natureza. Para muitos deles, o retorno à
liberdade significava uma auto-censura diante de uma legislação hostil
ainda, período em que a grande maioria se exilou no anonimato. Tudo por
culpa da ausência de uma lei que reconhecesse a perseguição por
orientação sexual, pela fragilidade dos movimentos ativistas gueis nos
anos 70, e pela própria sociedade, inclusive intelectuais, que
escamoteavam uma realidade à qual preferiam fechar os olhos. Porém
uma realidade que estava estampada na memória coletiva.
Em 1982, na França, Pierre Seell, diante de uma nova coação homofóbica,
decide romper o silêncio e revela todo o tipo de sofrimento que passou
nos campos. Um austríaco, Heiz Heger, depõe em seu livro toda a verdade
chocante que se passava por trás dos muros de concentração. Meses
depois, Martin Shermann, judeu e guei, apresenta uma peça onde aborda
pela primeira vez o holocausto guei no teatro. De Londres, a peça foi para
Paris e para a Broadway, onde o mundo conheceria a verdade atrás da
iconografia oficial dos nazistas.
Infelizmente, graças a esta abertura dos primeiros deportados gueis, a
coragem e a atitude das próximas gerações do holocausto nazista, hoje
sabemos que foram 90 a 100 mil gueis e lésbicas presos entre 1933 e
1945, de 10 a 15 mil somente no apogeu do nazismo. Sem falar dos
outros esquecidos como os masons, dos doentes, dos miseráveis, dos
fiéis da Testemunhas de Jeová...
Gays e desertores condenados pelo nazismo serão reabilitados***
da Deutsche Welle, em Berlim
A nova lei da coalizão de social-democratas e verdes, anulando todas as
sentenças nazistas promulgadas contra homossexuais e desertores,
entrará em vigor antes de meados deste ano. A informação foi divulgada
hoje, em Berlim, pelos deputados Alfred Hartenbach (SPD) e Volker Beck
(Partido Verde).
Esta lei irá substituir a legislação de 1998, que previa a suspensão das
sentenças mas exigia a apresentação de provas para cada caso
individual. Hartenbach afirmou que, passados 57 anos depois da Segunda
Guerra Mundial, já era hora de acabar com este "procedimento indigno" e
estender a mão aos que sofreram injustamente.
Segundo as estimativas, durante o regime nazista foram promulgadas
cerca de 500 mil condenações por motivos políticos, militares, religiosos,
racistas e ideológicos. Os tribunais militares condenaram à morte mais de
30 mil desertores da Wehrmacht, o Exército de Hitler.
Cerca de 50 mil homens foram presos e torturados por homossexualismo
na Alemanha nazista, sendo que 15 mil foram arrastados aos campos de
concentração. O parágrafo 175 da lei do Terceiro Reich previa pena de até
dez anos de prisão e reeducação para os gays. As lésbicas não foram
perseguidas. Hoje restam apenas 300 sobreviventes.
Os políticos alemães negaram-se, durante décadas, a promover a
reabilitação dessas vítimas. Em 1998, por exemplo, o governo da coalizão
CDU/CSU e Partido Liberal impediu a aprovação de um projeto de lei para
suspender todas a penas contra os homossexuais.
Em dezembro de 2000, finalmente, o Parlamento Federal decidiu por
unanimidade reabilitar essas vítimas, lamentando também na sua
decisão que o parágrafo 175 da lei nazista - que legitimava a perseguição
de gays - tivesse vigorado na Alemanha até 1969.
* Artigo publicado pela primeira vez em 1972, no Boletim de Cidams, 3.
Posteriormente, várias revistas e jornais do mundo inteiro reproduziram-
no, sobretudo na Itália, Suíça, França e Argentina. A versão aqui
reproduzida foi publicada no site do grupo Nuances de Porta Alegre. **
Artigo extraído do site portal marccelus em Salvador, Bahia, 26/12/09.
*** deutsche welle, berlim. publicado em 01 de fevereiro - confira : http:
//portal.marccelus.com/
Homossexuais na Alemanha Nazista
Os homossexuais constituíam um dos grupos perseguidos pelo regime
nazi. Antes do Terceiro Reich, Berlim era considerada uma cidade liberal,
com bares e cabarés frequentados pela comunidade homossexual.
Magnus Hirschfeld tinha começado aí, um movimento pelos direitos dos
homossexuais durante o virar do século. Contudo, estes movimentos
foram duramente reprimidos pelo Partido Nazi. A ideologia nazi sustentava
que a homossexualidade era incompatível com o Nacional Socialismo, já
que não permitia a reprodução, necessária para perpeturar a raça
superior. Da mesma forma, a masturbação era considerada perniciosa
pelo Reich.
Ernst Röhm, líder da Sturmabteilung, a primeira milícia do Partido Nazi, um
dos homens de confiança de Hitler que o ajudou a ascender ao poder, era
homossexual e foi assassinado em 1934 na Noite das Facas Longas. O
mesmo se passava com outros líderes, como Edmund Heines.
Hitler protegeu, inicialmente, Röhm de outros elementos do Partido Nazi
que consideravam a sua homossexualidade como uma violação grave da
política fortemente homofóbica do partido. Hitler, mais tarde, ao considerar
que esta podia ser, de facto, uma ameaça à consolidação do partido no
poder, autorizou a sua execução na chamada Noite das facas longas.
Durante o holocausto, a perseguição continuou, tendo muitos sido
enviados para campos de concentração. As estimativas sobre o número
de homossexuais mortos nos campos varia muito, entre 5 e 15 mil,
consoante os autores consultados.
O sofrimento dos homossexuais não terminou depois do fim da guerra,
uma vez que as leis anti-homossexuais dos Nazis não foram suprimidas,
tal como aconteceu com as leis anti-semíticas, por exemplo. Alguns
homossexuais foram obrigados a terminar a pena a que estavam
condenados pelo Governo Militar Aliado do pós-guerra na Alemanha.
Outros, ao regressar a casa e aos seus países de origem tiveram que
manter o silêncio sobre o seu sofrimento, por medo de discriminação,
pois as chamadas leis sobre a sodomia só acabariam por cair na Europa
Ocidental nos anos 1960 e 1970.
O Programa Lebensborn cuidava para que o ariano sadio tivesse a sua
descendência assegurada. Mulheres eram incentivadas a ter filhos com
esses homens que representavam a raça pura do Reich de mil anos.
Depois da Primeira Guerra Mundial, no período da história alemão
conhecido como a República de Weimar, a homossexualidade masculina
na Alemanha, particularmente em Berlim, gozavam de maior liberdade e
aceitação do que em qualquer outra parte do mundo. Contudo, a partir da
tomada de poder por Hitler, os gays e, em menor grau, as lésbicas,
passaram a ser dois de entre vários grupos sociais a serem atacados
pelo Partido Nazi, acabando por ser também vítimas do Holocausto.
A partir de 1933, as organizações gays foram banidas, livros académicos
sobre homossexualidade e, mais genericamente, sobre sexualidade
humana, foram queimados, e alguns homossexuais do Partido Nazi foram
assassinados. A Gestapo compilou listas de nomes de homossexuais,
que foram obrigados a adaptar-se à norma sexual Nazi.
Estima-se que em 1928 existiam cerca de 1,2 milhões de homossexuais
na Alemanha. Entre 1933 e 1945, mais de 100 mil homens foram
registados pela polícia como homossexuais (as "Listas Rosa"), e destes,
aproximadamente 50 mil foram oficialmente condenados. A maior parte
destes homens foi aprisionado e entre 5 a 15 mil enviados para campos
de concentração. O investigador Ruediger Lautman acredita que a taxa de
mortalidade de homossexuais presos em campos de concentração
poderá ter atingido os 60%, pois os homossexuais presos nesses
"campos da morte" para além de serem tratados de forma
extraordinariamente cruel pelos guardas, eram também perseguidos
pelos outros prisioneiros.Depois da guerra, o sofrimento dos
homossexuais nos campos de concentração nazi não foi reconhecido em
muitos países, tendo algumas potências aliadas recusado a libertação ou
repatriação destes homens. Alguns dos que ficaram presos, escaparam e
foram de novo presos, baseados em factos ocorridos durante no período
nazi. Apenas nos anos 1980 começaram a surgir governos a reconhecer
os homossexuais como vítimas do Holocausto, e apenas em 2002 o
governo alemão pediu formalmente desculpa à comunidade gay.
Antes do Terceiro Reich, Berlim era considerada uma cidade liberal, com
numerosos cabarés, clubes nocturnos e bares gays, onde berlinenses e
turistas (gays ou não) se divertiam com espectáculos de travesti. Hitler, no
seu livro Mein Kampf, denunciou estes costumes como prostituição, sífilis
e degeneração cultural, responsabilizando parcialmente os judeus. Por
essa época, Berlim era sede das organizações LGBT mais dinâmicas e
activas do mundo. O médico judeu Magnus Hirschfeld fundou em 1897,
com Eduard Oberg, Max Spohr e Franz Josef von Bülow, o Comité Científico
Humanitário (Wissenschaftlich-humanitäre Komitee), com o objectivo de
lutar contra o Parágrafo 175 que ilegalizava as relações sexuais entre
homens e de obter o reconhecimento para os homossexuais e
transgêneros, que é considerada a primeira organização pública de
defesa dos direitos dos gays. Estes progressos da comunidade gay foram
rapidamente eliminados com a chegada ao poder do Partido Nazi de Hitler.
O nazismo declarou a sua incompatibilidade com a homossexualidade
pois os gays não se reproduziam e, logo, não perpetuavam a raça ariana.
Pelas mesmas razões, a masturbação foi também considerada prejudicial
ao Reich, mas seria apenas ligeiramente reprimida. Os nazis temiam
ainda o "contágio" gay. Hitler acreditava que a homossexualidade era um
"comportamento degenerativo" que ameaçava a capacidade do estado e o
"carácter masculino" da nação.
Os homens gays eram denunciados como "inimigos do estado" e
acusados de "corromper" a moral pública e ameaçar o crescimento
populacional alemão. Os líderes nazis, como Himmler, consideravam
também que os homossexuais eram uma raça à parte e promoveram
experiências médicas que tentavam encontrar alguma deficiência
hereditária que muitos membros do partido julgavam ser a causa da
homossexualidade. Enquanto muitos líderes nazis defendiam que os
homossexuais deviam ser exterminados, outros pretendiam legislação
que banisse sexo entre homens ou entre mulheres.
Ernst Röhm, o chefe da SA que Hitler considerava uma ameaça potencial,
manteve a sua homossexualidade oculta até que em 1925 um jornal do
Partido Social Democrático da Alemanha publicou um conjunto das suas
cartas de amor para outros homens. A partir dessa altura, Röhm deixou de
esconder a sua sexualidade (tal como Edmund Heines e outros líderes da
SA), aderindo mesmo à Liga dos Direitos Humanos, a maior organização
alemã de direitos dos homossexuais.
Em 10 de maio de 1933, em Berlim, nazistas queimaram obras de autores
de origem judaica, a biblioteca do Institut für Sexualwissenschaft, e outras
obras consideradas "não-alemãs". Em finais de fevereiro de 1933, à
medida que a influência moderadora de Ernst Röhm enfraquecia, o Partido
Nazista lançou uma expurgo dos clubes homossexuais (gays, lésbicas e
bissexuais, nessa altura conhecidos como "homófilos") de Berlim,
ilegalizou as publicações de conteúdo sexual e baniu as organizações
gays. Em consequência, muita gente abandonou a Alemanha (incluindo,
por exemplo, Erika Mann). Em março de 1933, o principal administrador do
Institut für Sexualwissenschaft (Instituto para o Estudo da Sexualidade),
Kurt Hiller, foi internado num campo de concentração.
escritores e homens políticos soviéticos liderados por Kalinim iniciaram
uma violentíssima campanha propagandística contra os homossexuais,
juntando-os a todo tipo de criminosos sociais: os bandidos, os traidores,
os espiões, contra-revolucionários e agentes do imperialismo. Essa
tendência alcançou seu ponto alto em março de 1934, quando um decreto
assinado pelo próprio Kalinim passou a considerar as relações íntimas
entre indivíduos dos sexo masculino como puníveis com prisão de três a
oito anos, conforme a gravidade daquilo que foi então taxado e
enquadrado como "crime".
Gorki escreveu: "Nos países fascistas, o homossexualismo, que é a ruína
dos jovens, floresce impunemente. Já existe até um ditado na Alemanha
(pré-nazista): eliminem-se os homossexuais e o fascismo prevalecerá".
"Entretanto, na noite de 30 de junho de 1934 (apenas três meses após a
aprovação da lei soviética que enterrava, de um só golpe, todas as
conquistas sexuais libertárias da Revolução de Outubro), o Comando
Especial de Himmler, a S.S., invadia a hospedaria de Bad Wesses, uma
estância termal onde estava reunido o Estado-Maior da S.A, e exterminava
quase todos os presentes.Em poucos dias foram eliminadas outras 200
pessoas, muitas das quais pouco ou nada tinham a ver com a S.S. ou com
seu chefe, Ernst Roehm. Em função disso, Hitler dizia (em seu discurso de
11 de novembro de 1936 sobre o perigo racial-biológico da
homossexualidade) que não titubeamos em extirpar essa peste com a
própria morte, mesmo entre em nós", quando esse perigo invadiu também
a Alemanha.
Ao centro, o Ernest Hoehm que vivia abertamente a sua
homossexualidade e incomodava o Partido Nazista.
Em 26 de janeiro de 1938, o mesmo argumento foi repetido por Goebbels,
Ministro da Propaganda, ao fazer seu primeiro ataque declarado à igreja
católica, acusando-a sobretudo de imoralidade. Dizendo que os membros
do clero e dirigentes das organizações juvenis católicas deveriam, se
capazes, adotar a "Ordem" nacional-socialista, Goebbels afirmou:
"Quando, em 1934, certas pessoas pretenderam fazer no Partido o que se
faz nos conventos e entre os padres, carregando essa imoralidade para
nosso meio, nós as eliminamos. Devemos ser sumamente gratos Fuhrer,
que nos livrou dessa peste". Roehm, o Homossexual poderoso e valente
que foi assassinado por atrapalhar os planos de Hitler, (fotos abaixo e
acima)
Mas é bastante provável que Hitler jamais teria considerado seu lugar-
tenente Roehm como um monstro degenerado se este não tivesse
insistido demais nas idéias radicais que todos conhecemos; acontece
que sua S.A. andava pregando a necessidade de uma segunda revolução
para arrasar com os capitalistas (que, em troca, cortejavam Hitler) e com o
exército (que a S.A. queria substituir, contra a opinião do Fuhrer); afinal, os
militares eram importantes para a constituição de uma poderosa
Wermacht almejada por Hitler.
Além do mais, a milícia "privada" de Roehm passara de 300 mil homens
em 1932 para cerca de 3 milhões em dezembro de 1933 e tinha sido um
fator decisivo na escalada de Hitler ao poder. Roehm era um dos poucos,
ou melhor, o único que podia chamar o Fuhrer de "você". E, quando
alguém lhe chamava a atenção para o comportamento homossexual de
seu lugar-tenente, o Fuhrer respondia com justificativas do tipo: "Ah, isso
acontece sempre que as pessoas ficam muito entre os militares. Tornam-
se tão idiotas quanto eles. É só colocar Ernst Roehm no seu ambiente
adequado e então tudo isso acabará".
Quando finalmente Roehm foi acusado, em 1934, com base no Artigo 175
do Código Penal Alemão (que punia os atos de natureza homossexual), o
partido nacional-socialista não teve qualquer reação negativa: ao contrário:
um indivíduo que procurou tirar proveito de uma antiga relação com
Roehm foi assassinado pelas S.S.; enquanto Roehm era defendido e
protegido por Heydrich. Mais tarde, a 30 de janeiro de 1939, ao falar sobre
a purificação moral e a saúde biológica relativamente ao caso Roehm,
Hitler disse: "Há cinco anos atrás, houve alguns membros do partido que
se mancharam de culpa infame e foram fuzilados por esse crime". O caso
Roehm foi de máxima importância na história do Terceiro Reich: serviu de
modelo e inspiração permanente para a luta contra os inimigos do regime
ou adversários pessoais.
Herschel Grynszpan, jovem judeu que matou Ernst von Rath em Paris
(1938), dando aos nazistas uma boa desculpa para a “Noite de Cristal”,
onde foram mortos 35 mil judeus é descrito como prostituto homossexual
que sabia demais, “detalhe” que foi usado pelo advogado de defesa, com
sucesso, para adiar indefinidamente seu julgamento por homicídio.
O Artigo 175 foi introduzido na legislação penal alemã no ano de 1871,
para punir o "comportamento homossexual entre homens". O grande
estudioso e humanista Magnus Hirschfeld lutou contra ele por muito
tempo, defendendo os direitos dos homossexuais através do Comitê
Científico Humanitário, ao lado de Adolf Brandt, Fritz Radzuweit e alguns
mais. De todo modo, esse Artigo nunca provocou muitos problemas até o
momento em que os nazistas conquistaram o poder e decidiram usá-lo
como arma política e de vingança pessoal. Em 1933, houve 835 pessoas
condenadas a partir de sua aplicação. Em 1934, imediatamente após o
caso Roehm, o número subiu para 948; e de repente as cifras
enlouquecem: em 1936, foram 5.321 os condenados; em 1939, já são
enviados para os campos de concentração 24.450 pessoas acusadas de
atos homossexuais.
Apesar da lei vigente, as punições contra os homossexuais tinham sido
bastante reduzidas, antes da guerra 1941/18. Após a guerra, o governo
constituído de partidos de esquerda também não aplicava nenhuma
medida repressiva, deixando aos homossexuais a liberdade de se
juntarem e se organizarem um pouco em seus bares, clubes, saunas ou
através de suas revistas. Finalmente, a 16 de outubro de 1929, a
Comissão Penal de Reichstag pronunciou-se a favor de uma eventual
supressão do Artigo 175. Referindo-se a essa decisão, o futuro Ministro da
Justiça, Frank, falou a 10 de dezembro do ano seguinte, para definir como
imoral "essa tolerância que se pretende impingir a todo o povo alemão".
Apesar disso, os próprios nazistas, que tinham muitos homossexuais em
suas fileiras, não apresentaram nenhuma iniciativa mais radical, nos
primeiros anos de existência do seu partido. As premissas ideológicas
para uma repressão com "meios mais sofisticados" foram dadas pelo
jurista Rudolf Klare, especialista do Partido Nazista para assuntos
relativos ao homossexualismo; de fato, em seu livro Homossexualidade e
Direito Penal, Klare propunha um reforço das punições contra "esses
indivíduos" que constituem maior perigo para "o povo, o Estado e a raça"; e
sugeria a criação de reformatórios para as lésbicas. Referia-se também a
uma "purificação completa", através do extermínio necessário de
homossexuais - afirmava que "os degenerados devem ser eliminados
para manter a raça pura". Parece interessante constatar que o livro em
questão foi dedicado ao professor Dr. Erich Schwinge, a quem se deve "o
mérito desta colaboração verdadeiramente fraterna entre professor e
discípulo, sem a qual esta obra não poderia ser realizada num espaço de
tempo tão breve. Eu lhe agradeço muito por isso". Atualmente, o Dr. Erich
Schwinge é professor de Direito Público em Marburg.
Já com uma cobertura ideológica, a via legal para a repressão foi aberta
no dia 1º de setembro de 1935. Na primavera desse ano, a Comissão
Penal Alemã - à qual pertenciam dois juristas nazistas como Freisler e
Thiersak - expusera com prudência sua opinião negativa sobre o eventual
endurecimento na interpretação e aplicação do Artigo 175; um de seus
membros mais competentes, Erich von Spach, recomendou: "O legislador
deve manter a moderação num campo onde grandes investigações
podem provocar grandes prejuízos". Mas na reunião do Partido em
Nuremberg Goering tocou no problema pedindo "a defesa e proteção do
sangue e da honra alemã; enquanto isso, Hitler mostrou-se favorável ao
endurecimento do Artigo 175. Schaufler, Diretor-Geral do Ministério da
Justiça enchia-se de alegria: "Foi preenchida uma séria lacuna".
Passados 26 anos do final da guerra e da abertura dos campos de
concentração ainda não se estabeleceu o número exato de vítimas.
Quanto aos homossexuais, poucos sobreviventes (e muito raramente)
apareceram para reclamar indenizações, pagamentos ou reabilitações,
inclusive porque até poucos anos atrás estavam ainda ameaçados pela
vigência do Artigo 175, dependurado como uma espada de Dámocles
sobre suas cabeças. Assim, a cifra oficial fala de 50.000 a 80.000 vítimas,
mas provavelmente está muito longe da realidade que, como se pode
imaginar, parece ser muito mais trágica.
(É preciso lembrar, por outro lado, que muitos dos condenados com base
nesse Artigo não eram homossexuais, mas simplesmente opositores do
regime ou inimigos pessoais dos poderosos, cabendo-lhes, portanto, a
acusação considerada mais degradante).
Depois de julgados e condenados, os violadores do Artigo 175 passavam
para as mãos da Gestapo (a polícia secreta do Estado) e eram enviados
aos campos de concentração: Auschwitz, Dachau, Neuengame,
Ravensbruek, Sachsenhausen, Natsweiler, Bergen-Belsen, Fuehlsbuettel,
Fosenberg e outros mais: aí eram freqüentemente castrados e mandados
para os trabalhos mais repugnantes e mais pesados que acabavam
acelerando seu fim: ou então tornavam-se bode expiatório para os demais
companheiros de prisão, que os maltratavam e violentavam.
Não existem muitos documentos sobre o tema, especialmente pela
compreensível aversão dos homossexuais em tornar pública uma
perseguição que a sociedade ainda pretende justificar e perpetuar; além
disso, muitos historiadores manifestaram indiferença ante o tema, por
associarem os homossexuais com delinqüentes "comuns", e reservaram
todo seu interesse para os presos políticos (2 milhões de vítimas), ou para
os judeus (os mais duramente atingidos: 6 milhões de mortos). Outros
motivos dessa ausência de dados: o método usado pelos responsáveis
dos campos de concentração para esconder seus crimes e, talvez mais
importante do que todos os outros, o fato de que só sobreviveram muito
poucos condenados, que poderiam contar os acontecimentos com mais
precisão.
Em todo caso, apesar do esquecimento a respeito, existem raros e
espantosos testemunhos. Eugen Kogon, em seu livro O Estados S.S., diz
apenas: "Sobre o destino reservado (aos homossexuais), só se pode dizer
que foi terrível: estão quase todos mortos".
O médico e escritor Classen Neudegg publicou uma série de artigos no
jornal de Hamburgo, Humanistas; aí ele fala de muitos casos de que
soube ou que viu diretamente: "Os homossexuais já tinham sido
torturados e morriam lentamente de fome ou por excesso de trabalho, tudo
com uma crueldade inimaginável (...). Então a porta da residência do
Comandante se abre e um oficial do nosso grupo anuncia: "300 imorais
serão reunidos por ordem". Fomos registrados e então percebemos que
nosso grupo iria ser isolado numa companhia de punições mais
rigorosas; soubemos também que no dia seguinte seríamos levados para
uma grande fábrica de tijolos, para trabalhos forçados. A fama dessa
fábrica em liquidar com as pessoas era absolutamente terrível". (A S.S.
considerava o trabalho nas fábricas de tijolos como um terceiro grau de
onde não se saía com vida; Kogon chama-as de "trituradoras"). Von
Neudegg conta até mesmo sobre as experiências com fósforo em
pessoas vivas - o que lhes provocava dores impossíveis de traduzir em
palavras".
Nesses campos de concentração, os homossexuais eram marcados com
um triângulo rosa sobre a manga ou sobre o peito, o que servia para
distingüi-los dos presos políticos (triângulo vermelho), dos ladrões (verde),
dos testemunhas de jeová (violeta), dos ciganos (marrom), dos judeus
(amarelo) e dos criminosos (negro). Conforme relato de uma testemunha
no livro de Wolfang Harthauser O grande tabu, somente no período de sua
permanência em Sachsenhausen, foram eliminados a sangue frio de 300
a 400 homossexuais, mortos em conseqüência dos trabalhos forçados ou
porque chegavam com os ossos dos braços e pernas quebrados. Apenas
no campo número cinco de Neusustrum, um terço dos prisioneiros era
composto de homossexuais. Num processo contra um guarda acusado
de outros cem homicídios, foi constatado que esse homem era
especialista em lançar potentes jatos de água gelada contra o preso, até
levá-lo à morte. Conta-se aí que suas vítimas preferidas eram os judeus e
os homossexuais.
Holocausto gay
Até hoje as indenizações às famílias das vítimas do holocausto guei não
foram efetivadas, apesar da pressão da ONU pelo ressarcimento dos
homossexuais perseguidos pelo III Reich. O problema está no acordo
ratificado pelos bancos e com o próprio responsável, o governo alemão,
que criou diversos empecilhos financeiros. Cerca de 15 mil gueis
condenados e mortos pela hegemonia da raça ariana não têm direito nem
mesmo a um memorial na capital. Recentemente o ex-prefeito de Berlim,
Eberhad Diepgen, negou a grupos ativistas e famílias a construção de um
monumento aos gueis.
Tudo começou em 8 de março de 1933 quando foram instituídos os
primeiros campos de concentração. Berlim, considerada a capital dos
movimentos humanistas e da liberdade homossexual, tornou-se palco de
uma guerra homofóbica e particular. Os pontos de encontro e os cabarés
foram invadidos pelos soldados da Gestapo com suas armas e
licenciados pelo recém-instituído Paragrafo 175 da lei. Homossexuais e
lésbicas foram arrastados aos campos de concentração onde nem ao
menos eram julgados pela justiça, mas sim pelo órgão administrativo da
seção. Os que tinham alguma influência ou "sobrenome" eram
designados para a detenção ou deportação, mas os outros eram
liquidados nos campos. Às lésbicas eram feitas algumas concessões em
virtude de sua natureza como genitoras.
m 1943, Henrich Himmler autorizou a prática da castração dos deportados
homossexuais, quando um grande número de pessoas morreu durante a
intervenção cirúrgica. Os homossexuais sobreviventes eram designados
para as tarefas mais duras em campos de trabalho forçado. Em 1944, os
primeiros campos são dominados pelos aliados, e os homossexuais que
sobreviveram ainda tinham medo de declarar o motivo de sua deportação
por conta dos empecilhos sociais, familiares e de trabalho que viriam em
seguida a um testemunho desta natureza. Para muitos deles, o retorno à
liberdade significava uma auto-censura diante de uma legislação hostil
ainda, período em que a grande maioria se exilou no anonimato. Tudo por
culpa da ausência de uma lei que reconhecesse a perseguição por
orientação sexual, pela fragilidade dos movimentos ativistas gueis nos
anos 70, e pela própria sociedade, inclusive intelectuais, que
escamoteavam uma realidade à qual preferiam fechar os olhos. Porém
uma realidade que estava estampada na memória coletiva.
Em 1982, na França, Pierre Seell, diante de uma nova coação homofóbica,
decide romper o silêncio e revela todo o tipo de sofrimento que passou
nos campos. Um austríaco, Heiz Heger, depõe em seu livro toda a verdade
chocante que se passava por trás dos muros de concentração. Meses
depois, Martin Shermann, judeu e guei, apresenta uma peça onde aborda
pela primeira vez o holocausto guei no teatro. De Londres, a peça foi para
Paris e para a Broadway, onde o mundo conheceria a verdade atrás da
iconografia oficial dos nazistas.
Infelizmente, graças a esta abertura dos primeiros deportados gueis, a
coragem e a atitude das próximas gerações do holocausto nazista, hoje
sabemos que foram 90 a 100 mil gueis e lésbicas presos entre 1933 e
1945, de 10 a 15 mil somente no apogeu do nazismo. Sem falar dos
outros esquecidos como os masons, dos doentes, dos miseráveis, dos
fiéis da Testemunhas de Jeová...
Gays e desertores condenados pelo nazismo serão reabilitados***
da Deutsche Welle, em Berlim
A nova lei da coalizão de social-democratas e verdes, anulando todas as
sentenças nazistas promulgadas contra homossexuais e desertores,
entrará em vigor antes de meados deste ano. A informação foi divulgada
hoje, em Berlim, pelos deputados Alfred Hartenbach (SPD) e Volker Beck
(Partido Verde).
Esta lei irá substituir a legislação de 1998, que previa a suspensão das
sentenças mas exigia a apresentação de provas para cada caso
individual. Hartenbach afirmou que, passados 57 anos depois da Segunda
Guerra Mundial, já era hora de acabar com este "procedimento indigno" e
estender a mão aos que sofreram injustamente.
Segundo as estimativas, durante o regime nazista foram promulgadas
cerca de 500 mil condenações por motivos políticos, militares, religiosos,
racistas e ideológicos. Os tribunais militares condenaram à morte mais de
30 mil desertores da Wehrmacht, o Exército de Hitler.
Cerca de 50 mil homens foram presos e torturados por homossexualismo
na Alemanha nazista, sendo que 15 mil foram arrastados aos campos de
concentração. O parágrafo 175 da lei do Terceiro Reich previa pena de até
dez anos de prisão e reeducação para os gays. As lésbicas não foram
perseguidas. Hoje restam apenas 300 sobreviventes.
Os políticos alemães negaram-se, durante décadas, a promover a
reabilitação dessas vítimas. Em 1998, por exemplo, o governo da coalizão
CDU/CSU e Partido Liberal impediu a aprovação de um projeto de lei para
suspender todas a penas contra os homossexuais.
Em dezembro de 2000, finalmente, o Parlamento Federal decidiu por
unanimidade reabilitar essas vítimas, lamentando também na sua
decisão que o parágrafo 175 da lei nazista - que legitimava a perseguição
de gays - tivesse vigorado na Alemanha até 1969.
* Artigo publicado pela primeira vez em 1972, no Boletim de Cidams, 3.
Posteriormente, várias revistas e jornais do mundo inteiro reproduziram-
no, sobretudo na Itália, Suíça, França e Argentina. A versão aqui
reproduzida foi publicada no site do grupo Nuances de Porta Alegre. **
Artigo extraído do site portal marccelus em Salvador, Bahia, 26/12/09.
*** deutsche welle, berlim. publicado em 01 de fevereiro - confira : http:
//portal.marccelus.com/
Homossexuais na Alemanha Nazista
Os homossexuais constituíam um dos grupos perseguidos pelo regime
nazi. Antes do Terceiro Reich, Berlim era considerada uma cidade liberal,
com bares e cabarés frequentados pela comunidade homossexual.
Magnus Hirschfeld tinha começado aí, um movimento pelos direitos dos
homossexuais durante o virar do século. Contudo, estes movimentos
foram duramente reprimidos pelo Partido Nazi. A ideologia nazi sustentava
que a homossexualidade era incompatível com o Nacional Socialismo, já
que não permitia a reprodução, necessária para perpeturar a raça
superior. Da mesma forma, a masturbação era considerada perniciosa
pelo Reich.
Ernst Röhm, líder da Sturmabteilung, a primeira milícia do Partido Nazi, um
dos homens de confiança de Hitler que o ajudou a ascender ao poder, era
homossexual e foi assassinado em 1934 na Noite das Facas Longas. O
mesmo se passava com outros líderes, como Edmund Heines.
Hitler protegeu, inicialmente, Röhm de outros elementos do Partido Nazi
que consideravam a sua homossexualidade como uma violação grave da
política fortemente homofóbica do partido. Hitler, mais tarde, ao considerar
que esta podia ser, de facto, uma ameaça à consolidação do partido no
poder, autorizou a sua execução na chamada Noite das facas longas.
Durante o holocausto, a perseguição continuou, tendo muitos sido
enviados para campos de concentração. As estimativas sobre o número
de homossexuais mortos nos campos varia muito, entre 5 e 15 mil,
consoante os autores consultados.
O sofrimento dos homossexuais não terminou depois do fim da guerra,
uma vez que as leis anti-homossexuais dos Nazis não foram suprimidas,
tal como aconteceu com as leis anti-semíticas, por exemplo. Alguns
homossexuais foram obrigados a terminar a pena a que estavam
condenados pelo Governo Militar Aliado do pós-guerra na Alemanha.
Outros, ao regressar a casa e aos seus países de origem tiveram que
manter o silêncio sobre o seu sofrimento, por medo de discriminação,
pois as chamadas leis sobre a sodomia só acabariam por cair na Europa
Ocidental nos anos 1960 e 1970.
O Programa Lebensborn cuidava para que o ariano sadio tivesse a sua
descendência assegurada. Mulheres eram incentivadas a ter filhos com
esses homens que representavam a raça pura do Reich de mil anos.
Depois da Primeira Guerra Mundial, no período da história alemão
conhecido como a República de Weimar, a homossexualidade masculina
na Alemanha, particularmente em Berlim, gozavam de maior liberdade e
aceitação do que em qualquer outra parte do mundo. Contudo, a partir da
tomada de poder por Hitler, os gays e, em menor grau, as lésbicas,
passaram a ser dois de entre vários grupos sociais a serem atacados
pelo Partido Nazi, acabando por ser também vítimas do Holocausto.
A partir de 1933, as organizações gays foram banidas, livros académicos
sobre homossexualidade e, mais genericamente, sobre sexualidade
humana, foram queimados, e alguns homossexuais do Partido Nazi foram
assassinados. A Gestapo compilou listas de nomes de homossexuais,
que foram obrigados a adaptar-se à norma sexual Nazi.
Estima-se que em 1928 existiam cerca de 1,2 milhões de homossexuais
na Alemanha. Entre 1933 e 1945, mais de 100 mil homens foram
registados pela polícia como homossexuais (as "Listas Rosa"), e destes,
aproximadamente 50 mil foram oficialmente condenados. A maior parte
destes homens foi aprisionado e entre 5 a 15 mil enviados para campos
de concentração. O investigador Ruediger Lautman acredita que a taxa de
mortalidade de homossexuais presos em campos de concentração
poderá ter atingido os 60%, pois os homossexuais presos nesses
"campos da morte" para além de serem tratados de forma
extraordinariamente cruel pelos guardas, eram também perseguidos
pelos outros prisioneiros.Depois da guerra, o sofrimento dos
homossexuais nos campos de concentração nazi não foi reconhecido em
muitos países, tendo algumas potências aliadas recusado a libertação ou
repatriação destes homens. Alguns dos que ficaram presos, escaparam e
foram de novo presos, baseados em factos ocorridos durante no período
nazi. Apenas nos anos 1980 começaram a surgir governos a reconhecer
os homossexuais como vítimas do Holocausto, e apenas em 2002 o
governo alemão pediu formalmente desculpa à comunidade gay.
Antes do Terceiro Reich, Berlim era considerada uma cidade liberal, com
numerosos cabarés, clubes nocturnos e bares gays, onde berlinenses e
turistas (gays ou não) se divertiam com espectáculos de travesti. Hitler, no
seu livro Mein Kampf, denunciou estes costumes como prostituição, sífilis
e degeneração cultural, responsabilizando parcialmente os judeus. Por
essa época, Berlim era sede das organizações LGBT mais dinâmicas e
activas do mundo. O médico judeu Magnus Hirschfeld fundou em 1897,
com Eduard Oberg, Max Spohr e Franz Josef von Bülow, o Comité Científico
Humanitário (Wissenschaftlich-humanitäre Komitee), com o objectivo de
lutar contra o Parágrafo 175 que ilegalizava as relações sexuais entre
homens e de obter o reconhecimento para os homossexuais e
transgêneros, que é considerada a primeira organização pública de
defesa dos direitos dos gays. Estes progressos da comunidade gay foram
rapidamente eliminados com a chegada ao poder do Partido Nazi de Hitler.
O nazismo declarou a sua incompatibilidade com a homossexualidade
pois os gays não se reproduziam e, logo, não perpetuavam a raça ariana.
Pelas mesmas razões, a masturbação foi também considerada prejudicial
ao Reich, mas seria apenas ligeiramente reprimida. Os nazis temiam
ainda o "contágio" gay. Hitler acreditava que a homossexualidade era um
"comportamento degenerativo" que ameaçava a capacidade do estado e o
"carácter masculino" da nação.
Os homens gays eram denunciados como "inimigos do estado" e
acusados de "corromper" a moral pública e ameaçar o crescimento
populacional alemão. Os líderes nazis, como Himmler, consideravam
também que os homossexuais eram uma raça à parte e promoveram
experiências médicas que tentavam encontrar alguma deficiência
hereditária que muitos membros do partido julgavam ser a causa da
homossexualidade. Enquanto muitos líderes nazis defendiam que os
homossexuais deviam ser exterminados, outros pretendiam legislação
que banisse sexo entre homens ou entre mulheres.
Ernst Röhm, o chefe da SA que Hitler considerava uma ameaça potencial,
manteve a sua homossexualidade oculta até que em 1925 um jornal do
Partido Social Democrático da Alemanha publicou um conjunto das suas
cartas de amor para outros homens. A partir dessa altura, Röhm deixou de
esconder a sua sexualidade (tal como Edmund Heines e outros líderes da
SA), aderindo mesmo à Liga dos Direitos Humanos, a maior organização
alemã de direitos dos homossexuais.
Em 10 de maio de 1933, em Berlim, nazistas queimaram obras de autores
de origem judaica, a biblioteca do Institut für Sexualwissenschaft, e outras
obras consideradas "não-alemãs". Em finais de fevereiro de 1933, à
medida que a influência moderadora de Ernst Röhm enfraquecia, o Partido
Nazista lançou uma expurgo dos clubes homossexuais (gays, lésbicas e
bissexuais, nessa altura conhecidos como "homófilos") de Berlim,
ilegalizou as publicações de conteúdo sexual e baniu as organizações
gays. Em consequência, muita gente abandonou a Alemanha (incluindo,
por exemplo, Erika Mann). Em março de 1933, o principal administrador do
Institut für Sexualwissenschaft (Instituto para o Estudo da Sexualidade),
Kurt Hiller, foi internado num campo de concentração.
escritores e homens políticos soviéticos liderados por Kalinim iniciaram
uma violentíssima campanha propagandística contra os homossexuais,
juntando-os a todo tipo de criminosos sociais: os bandidos, os traidores,
os espiões, contra-revolucionários e agentes do imperialismo. Essa
tendência alcançou seu ponto alto em março de 1934, quando um decreto
assinado pelo próprio Kalinim passou a considerar as relações íntimas
entre indivíduos dos sexo masculino como puníveis com prisão de três a
oito anos, conforme a gravidade daquilo que foi então taxado e
enquadrado como "crime".
Gorki escreveu: "Nos países fascistas, o homossexualismo, que é a ruína
dos jovens, floresce impunemente. Já existe até um ditado na Alemanha
(pré-nazista): eliminem-se os homossexuais e o fascismo prevalecerá".
"Entretanto, na noite de 30 de junho de 1934 (apenas três meses após a
aprovação da lei soviética que enterrava, de um só golpe, todas as
conquistas sexuais libertárias da Revolução de Outubro), o Comando
Especial de Himmler, a S.S., invadia a hospedaria de Bad Wesses, uma
estância termal onde estava reunido o Estado-Maior da S.A, e exterminava
quase todos os presentes.Em poucos dias foram eliminadas outras 200
pessoas, muitas das quais pouco ou nada tinham a ver com a S.S. ou com
seu chefe, Ernst Roehm. Em função disso, Hitler dizia (em seu discurso de
11 de novembro de 1936 sobre o perigo racial-biológico da
homossexualidade) que não titubeamos em extirpar essa peste com a
própria morte, mesmo entre em nós", quando esse perigo invadiu também
a Alemanha.
Ao centro, o Ernest Hoehm que vivia abertamente a sua
homossexualidade e incomodava o Partido Nazista.
Em 26 de janeiro de 1938, o mesmo argumento foi repetido por Goebbels,
Ministro da Propaganda, ao fazer seu primeiro ataque declarado à igreja
católica, acusando-a sobretudo de imoralidade. Dizendo que os membros
do clero e dirigentes das organizações juvenis católicas deveriam, se
capazes, adotar a "Ordem" nacional-socialista, Goebbels afirmou:
"Quando, em 1934, certas pessoas pretenderam fazer no Partido o que se
faz nos conventos e entre os padres, carregando essa imoralidade para
nosso meio, nós as eliminamos. Devemos ser sumamente gratos Fuhrer,
que nos livrou dessa peste". Roehm, o Homossexual poderoso e valente
que foi assassinado por atrapalhar os planos de Hitler, (fotos abaixo e
acima)
Mas é bastante provável que Hitler jamais teria considerado seu lugar-
tenente Roehm como um monstro degenerado se este não tivesse
insistido demais nas idéias radicais que todos conhecemos; acontece
que sua S.A. andava pregando a necessidade de uma segunda revolução
para arrasar com os capitalistas (que, em troca, cortejavam Hitler) e com o
exército (que a S.A. queria substituir, contra a opinião do Fuhrer); afinal, os
militares eram importantes para a constituição de uma poderosa
Wermacht almejada por Hitler.
Além do mais, a milícia "privada" de Roehm passara de 300 mil homens
em 1932 para cerca de 3 milhões em dezembro de 1933 e tinha sido um
fator decisivo na escalada de Hitler ao poder. Roehm era um dos poucos,
ou melhor, o único que podia chamar o Fuhrer de "você". E, quando
alguém lhe chamava a atenção para o comportamento homossexual de
seu lugar-tenente, o Fuhrer respondia com justificativas do tipo: "Ah, isso
acontece sempre que as pessoas ficam muito entre os militares. Tornam-
se tão idiotas quanto eles. É só colocar Ernst Roehm no seu ambiente
adequado e então tudo isso acabará".
Quando finalmente Roehm foi acusado, em 1934, com base no Artigo 175
do Código Penal Alemão (que punia os atos de natureza homossexual), o
partido nacional-socialista não teve qualquer reação negativa: ao contrário:
um indivíduo que procurou tirar proveito de uma antiga relação com
Roehm foi assassinado pelas S.S.; enquanto Roehm era defendido e
protegido por Heydrich. Mais tarde, a 30 de janeiro de 1939, ao falar sobre
a purificação moral e a saúde biológica relativamente ao caso Roehm,
Hitler disse: "Há cinco anos atrás, houve alguns membros do partido que
se mancharam de culpa infame e foram fuzilados por esse crime". O caso
Roehm foi de máxima importância na história do Terceiro Reich: serviu de
modelo e inspiração permanente para a luta contra os inimigos do regime
ou adversários pessoais.
Herschel Grynszpan, jovem judeu que matou Ernst von Rath em Paris
(1938), dando aos nazistas uma boa desculpa para a “Noite de Cristal”,
onde foram mortos 35 mil judeus é descrito como prostituto homossexual
que sabia demais, “detalhe” que foi usado pelo advogado de defesa, com
sucesso, para adiar indefinidamente seu julgamento por homicídio.
O Artigo 175 foi introduzido na legislação penal alemã no ano de 1871,
para punir o "comportamento homossexual entre homens". O grande
estudioso e humanista Magnus Hirschfeld lutou contra ele por muito
tempo, defendendo os direitos dos homossexuais através do Comitê
Científico Humanitário, ao lado de Adolf Brandt, Fritz Radzuweit e alguns
mais. De todo modo, esse Artigo nunca provocou muitos problemas até o
momento em que os nazistas conquistaram o poder e decidiram usá-lo
como arma política e de vingança pessoal. Em 1933, houve 835 pessoas
condenadas a partir de sua aplicação. Em 1934, imediatamente após o
caso Roehm, o número subiu para 948; e de repente as cifras
enlouquecem: em 1936, foram 5.321 os condenados; em 1939, já são
enviados para os campos de concentração 24.450 pessoas acusadas de
atos homossexuais.
Apesar da lei vigente, as punições contra os homossexuais tinham sido
bastante reduzidas, antes da guerra 1941/18. Após a guerra, o governo
constituído de partidos de esquerda também não aplicava nenhuma
medida repressiva, deixando aos homossexuais a liberdade de se
juntarem e se organizarem um pouco em seus bares, clubes, saunas ou
através de suas revistas. Finalmente, a 16 de outubro de 1929, a
Comissão Penal de Reichstag pronunciou-se a favor de uma eventual
supressão do Artigo 175. Referindo-se a essa decisão, o futuro Ministro da
Justiça, Frank, falou a 10 de dezembro do ano seguinte, para definir como
imoral "essa tolerância que se pretende impingir a todo o povo alemão".
Apesar disso, os próprios nazistas, que tinham muitos homossexuais em
suas fileiras, não apresentaram nenhuma iniciativa mais radical, nos
primeiros anos de existência do seu partido. As premissas ideológicas
para uma repressão com "meios mais sofisticados" foram dadas pelo
jurista Rudolf Klare, especialista do Partido Nazista para assuntos
relativos ao homossexualismo; de fato, em seu livro Homossexualidade e
Direito Penal, Klare propunha um reforço das punições contra "esses
indivíduos" que constituem maior perigo para "o povo, o Estado e a raça"; e
sugeria a criação de reformatórios para as lésbicas. Referia-se também a
uma "purificação completa", através do extermínio necessário de
homossexuais - afirmava que "os degenerados devem ser eliminados
para manter a raça pura". Parece interessante constatar que o livro em
questão foi dedicado ao professor Dr. Erich Schwinge, a quem se deve "o
mérito desta colaboração verdadeiramente fraterna entre professor e
discípulo, sem a qual esta obra não poderia ser realizada num espaço de
tempo tão breve. Eu lhe agradeço muito por isso". Atualmente, o Dr. Erich
Schwinge é professor de Direito Público em Marburg.
Já com uma cobertura ideológica, a via legal para a repressão foi aberta
no dia 1º de setembro de 1935. Na primavera desse ano, a Comissão
Penal Alemã - à qual pertenciam dois juristas nazistas como Freisler e
Thiersak - expusera com prudência sua opinião negativa sobre o eventual
endurecimento na interpretação e aplicação do Artigo 175; um de seus
membros mais competentes, Erich von Spach, recomendou: "O legislador
deve manter a moderação num campo onde grandes investigações
podem provocar grandes prejuízos". Mas na reunião do Partido em
Nuremberg Goering tocou no problema pedindo "a defesa e proteção do
sangue e da honra alemã; enquanto isso, Hitler mostrou-se favorável ao
endurecimento do Artigo 175. Schaufler, Diretor-Geral do Ministério da
Justiça enchia-se de alegria: "Foi preenchida uma séria lacuna".
Passados 26 anos do final da guerra e da abertura dos campos de
concentração ainda não se estabeleceu o número exato de vítimas.
Quanto aos homossexuais, poucos sobreviventes (e muito raramente)
apareceram para reclamar indenizações, pagamentos ou reabilitações,
inclusive porque até poucos anos atrás estavam ainda ameaçados pela
vigência do Artigo 175, dependurado como uma espada de Dámocles
sobre suas cabeças. Assim, a cifra oficial fala de 50.000 a 80.000 vítimas,
mas provavelmente está muito longe da realidade que, como se pode
imaginar, parece ser muito mais trágica.
(É preciso lembrar, por outro lado, que muitos dos condenados com base
nesse Artigo não eram homossexuais, mas simplesmente opositores do
regime ou inimigos pessoais dos poderosos, cabendo-lhes, portanto, a
acusação considerada mais degradante).
Depois de julgados e condenados, os violadores do Artigo 175 passavam
para as mãos da Gestapo (a polícia secreta do Estado) e eram enviados
aos campos de concentração: Auschwitz, Dachau, Neuengame,
Ravensbruek, Sachsenhausen, Natsweiler, Bergen-Belsen, Fuehlsbuettel,
Fosenberg e outros mais: aí eram freqüentemente castrados e mandados
para os trabalhos mais repugnantes e mais pesados que acabavam
acelerando seu fim: ou então tornavam-se bode expiatório para os demais
companheiros de prisão, que os maltratavam e violentavam.
Não existem muitos documentos sobre o tema, especialmente pela
compreensível aversão dos homossexuais em tornar pública uma
perseguição que a sociedade ainda pretende justificar e perpetuar; além
disso, muitos historiadores manifestaram indiferença ante o tema, por
associarem os homossexuais com delinqüentes "comuns", e reservaram
todo seu interesse para os presos políticos (2 milhões de vítimas), ou para
os judeus (os mais duramente atingidos: 6 milhões de mortos). Outros
motivos dessa ausência de dados: o método usado pelos responsáveis
dos campos de concentração para esconder seus crimes e, talvez mais
importante do que todos os outros, o fato de que só sobreviveram muito
poucos condenados, que poderiam contar os acontecimentos com mais
precisão.
Em todo caso, apesar do esquecimento a respeito, existem raros e
espantosos testemunhos. Eugen Kogon, em seu livro O Estados S.S., diz
apenas: "Sobre o destino reservado (aos homossexuais), só se pode dizer
que foi terrível: estão quase todos mortos".
O médico e escritor Classen Neudegg publicou uma série de artigos no
jornal de Hamburgo, Humanistas; aí ele fala de muitos casos de que
soube ou que viu diretamente: "Os homossexuais já tinham sido
torturados e morriam lentamente de fome ou por excesso de trabalho, tudo
com uma crueldade inimaginável (...). Então a porta da residência do
Comandante se abre e um oficial do nosso grupo anuncia: "300 imorais
serão reunidos por ordem". Fomos registrados e então percebemos que
nosso grupo iria ser isolado numa companhia de punições mais
rigorosas; soubemos também que no dia seguinte seríamos levados para
uma grande fábrica de tijolos, para trabalhos forçados. A fama dessa
fábrica em liquidar com as pessoas era absolutamente terrível". (A S.S.
considerava o trabalho nas fábricas de tijolos como um terceiro grau de
onde não se saía com vida; Kogon chama-as de "trituradoras"). Von
Neudegg conta até mesmo sobre as experiências com fósforo em
pessoas vivas - o que lhes provocava dores impossíveis de traduzir em
palavras".
Nesses campos de concentração, os homossexuais eram marcados com
um triângulo rosa sobre a manga ou sobre o peito, o que servia para
distingüi-los dos presos políticos (triângulo vermelho), dos ladrões (verde),
dos testemunhas de jeová (violeta), dos ciganos (marrom), dos judeus
(amarelo) e dos criminosos (negro). Conforme relato de uma testemunha
no livro de Wolfang Harthauser O grande tabu, somente no período de sua
permanência em Sachsenhausen, foram eliminados a sangue frio de 300
a 400 homossexuais, mortos em conseqüência dos trabalhos forçados ou
porque chegavam com os ossos dos braços e pernas quebrados. Apenas
no campo número cinco de Neusustrum, um terço dos prisioneiros era
composto de homossexuais. Num processo contra um guarda acusado
de outros cem homicídios, foi constatado que esse homem era
especialista em lançar potentes jatos de água gelada contra o preso, até
levá-lo à morte. Conta-se aí que suas vítimas preferidas eram os judeus e
os homossexuais.
Holocausto gay
Até hoje as indenizações às famílias das vítimas do holocausto guei não
foram efetivadas, apesar da pressão da ONU pelo ressarcimento dos
homossexuais perseguidos pelo III Reich. O problema está no acordo
ratificado pelos bancos e com o próprio responsável, o governo alemão,
que criou diversos empecilhos financeiros. Cerca de 15 mil gueis
condenados e mortos pela hegemonia da raça ariana não têm direito nem
mesmo a um memorial na capital. Recentemente o ex-prefeito de Berlim,
Eberhad Diepgen, negou a grupos ativistas e famílias a construção de um
monumento aos gueis.
Tudo começou em 8 de março de 1933 quando foram instituídos os
primeiros campos de concentração. Berlim, considerada a capital dos
movimentos humanistas e da liberdade homossexual, tornou-se palco de
uma guerra homofóbica e particular. Os pontos de encontro e os cabarés
foram invadidos pelos soldados da Gestapo com suas armas e
licenciados pelo recém-instituído Paragrafo 175 da lei. Homossexuais e
lésbicas foram arrastados aos campos de concentração onde nem ao
menos eram julgados pela justiça, mas sim pelo órgão administrativo da
seção. Os que tinham alguma influência ou "sobrenome" eram
designados para a detenção ou deportação, mas os outros eram
liquidados nos campos. Às lésbicas eram feitas algumas concessões em
virtude de sua natureza como genitoras.
m 1943, Henrich Himmler autorizou a prática da castração dos deportados
homossexuais, quando um grande número de pessoas morreu durante a
intervenção cirúrgica. Os homossexuais sobreviventes eram designados
para as tarefas mais duras em campos de trabalho forçado. Em 1944, os
primeiros campos são dominados pelos aliados, e os homossexuais que
sobreviveram ainda tinham medo de declarar o motivo de sua deportação
por conta dos empecilhos sociais, familiares e de trabalho que viriam em
seguida a um testemunho desta natureza. Para muitos deles, o retorno à
liberdade significava uma auto-censura diante de uma legislação hostil
ainda, período em que a grande maioria se exilou no anonimato. Tudo por
culpa da ausência de uma lei que reconhecesse a perseguição por
orientação sexual, pela fragilidade dos movimentos ativistas gueis nos
anos 70, e pela própria sociedade, inclusive intelectuais, que
escamoteavam uma realidade à qual preferiam fechar os olhos. Porém
uma realidade que estava estampada na memória coletiva.
Em 1982, na França, Pierre Seell, diante de uma nova coação homofóbica,
decide romper o silêncio e revela todo o tipo de sofrimento que passou
nos campos. Um austríaco, Heiz Heger, depõe em seu livro toda a verdade
chocante que se passava por trás dos muros de concentração. Meses
depois, Martin Shermann, judeu e guei, apresenta uma peça onde aborda
pela primeira vez o holocausto guei no teatro. De Londres, a peça foi para
Paris e para a Broadway, onde o mundo conheceria a verdade atrás da
iconografia oficial dos nazistas.
Infelizmente, graças a esta abertura dos primeiros deportados gueis, a
coragem e a atitude das próximas gerações do holocausto nazista, hoje
sabemos que foram 90 a 100 mil gueis e lésbicas presos entre 1933 e
1945, de 10 a 15 mil somente no apogeu do nazismo. Sem falar dos
outros esquecidos como os masons, dos doentes, dos miseráveis, dos
fiéis da Testemunhas de Jeová...
Gays e desertores condenados pelo nazismo serão reabilitados***
da Deutsche Welle, em Berlim
A nova lei da coalizão de social-democratas e verdes, anulando todas as
sentenças nazistas promulgadas contra homossexuais e desertores,
entrará em vigor antes de meados deste ano. A informação foi divulgada
hoje, em Berlim, pelos deputados Alfred Hartenbach (SPD) e Volker Beck
(Partido Verde).
Esta lei irá substituir a legislação de 1998, que previa a suspensão das
sentenças mas exigia a apresentação de provas para cada caso
individual. Hartenbach afirmou que, passados 57 anos depois da Segunda
Guerra Mundial, já era hora de acabar com este "procedimento indigno" e
estender a mão aos que sofreram injustamente.
Segundo as estimativas, durante o regime nazista foram promulgadas
cerca de 500 mil condenações por motivos políticos, militares, religiosos,
racistas e ideológicos. Os tribunais militares condenaram à morte mais de
30 mil desertores da Wehrmacht, o Exército de Hitler.
Cerca de 50 mil homens foram presos e torturados por homossexualismo
na Alemanha nazista, sendo que 15 mil foram arrastados aos campos de
concentração. O parágrafo 175 da lei do Terceiro Reich previa pena de até
dez anos de prisão e reeducação para os gays. As lésbicas não foram
perseguidas. Hoje restam apenas 300 sobreviventes.
Os políticos alemães negaram-se, durante décadas, a promover a
reabilitação dessas vítimas. Em 1998, por exemplo, o governo da coalizão
CDU/CSU e Partido Liberal impediu a aprovação de um projeto de lei para
suspender todas a penas contra os homossexuais.
Em dezembro de 2000, finalmente, o Parlamento Federal decidiu por
unanimidade reabilitar essas vítimas, lamentando também na sua
decisão que o parágrafo 175 da lei nazista - que legitimava a perseguição
de gays - tivesse vigorado na Alemanha até 1969.
* Artigo publicado pela primeira vez em 1972, no Boletim de Cidams, 3.
Posteriormente, várias revistas e jornais do mundo inteiro reproduziram-
no, sobretudo na Itália, Suíça, França e Argentina. A versão aqui
reproduzida foi publicada no site do grupo Nuances de Porta Alegre. **
Artigo extraído do site portal marccelus em Salvador, Bahia, 26/12/09.
*** deutsche welle, berlim. publicado em 01 de fevereiro - confira : http:
//portal.marccelus.com/
Homossexuais na Alemanha Nazista
Os homossexuais constituíam um dos grupos perseguidos pelo regime
nazi. Antes do Terceiro Reich, Berlim era considerada uma cidade liberal,
com bares e cabarés frequentados pela comunidade homossexual.
Magnus Hirschfeld tinha começado aí, um movimento pelos direitos dos
homossexuais durante o virar do século. Contudo, estes movimentos
foram duramente reprimidos pelo Partido Nazi. A ideologia nazi sustentava
que a homossexualidade era incompatível com o Nacional Socialismo, já
que não permitia a reprodução, necessária para perpeturar a raça
superior. Da mesma forma, a masturbação era considerada perniciosa
pelo Reich.
Ernst Röhm, líder da Sturmabteilung, a primeira milícia do Partido Nazi, um
dos homens de confiança de Hitler que o ajudou a ascender ao poder, era
homossexual e foi assassinado em 1934 na Noite das Facas Longas. O
mesmo se passava com outros líderes, como Edmund Heines.
Hitler protegeu, inicialmente, Röhm de outros elementos do Partido Nazi
que consideravam a sua homossexualidade como uma violação grave da
política fortemente homofóbica do partido. Hitler, mais tarde, ao considerar
que esta podia ser, de facto, uma ameaça à consolidação do partido no
poder, autorizou a sua execução na chamada Noite das facas longas.
Durante o holocausto, a perseguição continuou, tendo muitos sido
enviados para campos de concentração. As estimativas sobre o número
de homossexuais mortos nos campos varia muito, entre 5 e 15 mil,
consoante os autores consultados.
O sofrimento dos homossexuais não terminou depois do fim da guerra,
uma vez que as leis anti-homossexuais dos Nazis não foram suprimidas,
tal como aconteceu com as leis anti-semíticas, por exemplo. Alguns
homossexuais foram obrigados a terminar a pena a que estavam
condenados pelo Governo Militar Aliado do pós-guerra na Alemanha.
Outros, ao regressar a casa e aos seus países de origem tiveram que
manter o silêncio sobre o seu sofrimento, por medo de discriminação,
pois as chamadas leis sobre a sodomia só acabariam por cair na Europa
Ocidental nos anos 1960 e 1970.
O Programa Lebensborn cuidava para que o ariano sadio tivesse a sua
descendência assegurada. Mulheres eram incentivadas a ter filhos com
esses homens que representavam a raça pura do Reich de mil anos.
Depois da Primeira Guerra Mundial, no período da história alemão
conhecido como a República de Weimar, a homossexualidade masculina
na Alemanha, particularmente em Berlim, gozavam de maior liberdade e
aceitação do que em qualquer outra parte do mundo. Contudo, a partir da
tomada de poder por Hitler, os gays e, em menor grau, as lésbicas,
passaram a ser dois de entre vários grupos sociais a serem atacados
pelo Partido Nazi, acabando por ser também vítimas do Holocausto.
A partir de 1933, as organizações gays foram banidas, livros académicos
sobre homossexualidade e, mais genericamente, sobre sexualidade
humana, foram queimados, e alguns homossexuais do Partido Nazi foram
assassinados. A Gestapo compilou listas de nomes de homossexuais,
que foram obrigados a adaptar-se à norma sexual Nazi.
Estima-se que em 1928 existiam cerca de 1,2 milhões de homossexuais
na Alemanha. Entre 1933 e 1945, mais de 100 mil homens foram
registados pela polícia como homossexuais (as "Listas Rosa"), e destes,
aproximadamente 50 mil foram oficialmente condenados. A maior parte
destes homens foi aprisionado e entre 5 a 15 mil enviados para campos
de concentração. O investigador Ruediger Lautman acredita que a taxa de
mortalidade de homossexuais presos em campos de concentração
poderá ter atingido os 60%, pois os homossexuais presos nesses
"campos da morte" para além de serem tratados de forma
extraordinariamente cruel pelos guardas, eram também perseguidos
pelos outros prisioneiros.Depois da guerra, o sofrimento dos
homossexuais nos campos de concentração nazi não foi reconhecido em
muitos países, tendo algumas potências aliadas recusado a libertação ou
repatriação destes homens. Alguns dos que ficaram presos, escaparam e
foram de novo presos, baseados em factos ocorridos durante no período
nazi. Apenas nos anos 1980 começaram a surgir governos a reconhecer
os homossexuais como vítimas do Holocausto, e apenas em 2002 o
governo alemão pediu formalmente desculpa à comunidade gay.
Antes do Terceiro Reich, Berlim era considerada uma cidade liberal, com
numerosos cabarés, clubes nocturnos e bares gays, onde berlinenses e
turistas (gays ou não) se divertiam com espectáculos de travesti. Hitler, no
seu livro Mein Kampf, denunciou estes costumes como prostituição, sífilis
e degeneração cultural, responsabilizando parcialmente os judeus. Por
essa época, Berlim era sede das organizações LGBT mais dinâmicas e
activas do mundo. O médico judeu Magnus Hirschfeld fundou em 1897,
com Eduard Oberg, Max Spohr e Franz Josef von Bülow, o Comité Científico
Humanitário (Wissenschaftlich-humanitäre Komitee), com o objectivo de
lutar contra o Parágrafo 175 que ilegalizava as relações sexuais entre
homens e de obter o reconhecimento para os homossexuais e
transgêneros, que é considerada a primeira organização pública de
defesa dos direitos dos gays. Estes progressos da comunidade gay foram
rapidamente eliminados com a chegada ao poder do Partido Nazi de Hitler.
O nazismo declarou a sua incompatibilidade com a homossexualidade
pois os gays não se reproduziam e, logo, não perpetuavam a raça ariana.
Pelas mesmas razões, a masturbação foi também considerada prejudicial
ao Reich, mas seria apenas ligeiramente reprimida. Os nazis temiam
ainda o "contágio" gay. Hitler acreditava que a homossexualidade era um
"comportamento degenerativo" que ameaçava a capacidade do estado e o
"carácter masculino" da nação.
Os homens gays eram denunciados como "inimigos do estado" e
acusados de "corromper" a moral pública e ameaçar o crescimento
populacional alemão. Os líderes nazis, como Himmler, consideravam
também que os homossexuais eram uma raça à parte e promoveram
experiências médicas que tentavam encontrar alguma deficiência
hereditária que muitos membros do partido julgavam ser a causa da
homossexualidade. Enquanto muitos líderes nazis defendiam que os
homossexuais deviam ser exterminados, outros pretendiam legislação
que banisse sexo entre homens ou entre mulheres.
Ernst Röhm, o chefe da SA que Hitler considerava uma ameaça potencial,
manteve a sua homossexualidade oculta até que em 1925 um jornal do
Partido Social Democrático da Alemanha publicou um conjunto das suas
cartas de amor para outros homens. A partir dessa altura, Röhm deixou de
esconder a sua sexualidade (tal como Edmund Heines e outros líderes da
SA), aderindo mesmo à Liga dos Direitos Humanos, a maior organização
alemã de direitos dos homossexuais.
Em 10 de maio de 1933, em Berlim, nazistas queimaram obras de autores
de origem judaica, a biblioteca do Institut für Sexualwissenschaft, e outras
obras consideradas "não-alemãs". Em finais de fevereiro de 1933, à
medida que a influência moderadora de Ernst Röhm enfraquecia, o Partido
Nazista lançou uma expurgo dos clubes homossexuais (gays, lésbicas e
bissexuais, nessa altura conhecidos como "homófilos") de Berlim,
ilegalizou as publicações de conteúdo sexual e baniu as organizações
gays. Em consequência, muita gente abandonou a Alemanha (incluindo,
por exemplo, Erika Mann). Em março de 1933, o principal administrador do
Institut für Sexualwissenschaft (Instituto para o Estudo da Sexualidade),
Kurt Hiller, foi internado num campo de concentração.