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Público gay sai do armário e migra para “lugares héteros”

BARES GAYS Atitude. Com duas décadas de experiência, Denise Martins percebe mudança de comportamento BARESGAUSSO Filas na
porta do Fifty, na região Centro-Sul de BH, são constantes
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por Rafael Rocha

Bares e baladas gays foram fundamentais no
processo de autoaceitação da homossexualidade
do analista de sistemas Stênio Morais, 36. “Eu
estava me conhecendo e experimentando, então
não podia me expor em qualquer lugar. Eu ainda
não estava certo se era isso mesmo que eu
queria”, lembra. Dez anos se passaram e, além
da certeza de gostar de pessoas do mesmo
sexo – ele acabou de decidir que vai se casar
com seu companheiro –, Morais tem outra
convicção: não precisa mais ir aos lugares
gays para manifestar sua sexualidade com
tranquilidade.

O comportamento do analista de sistemas
reflete o que pode ser uma mudança de
comportamento do público homossexual de
Belo Horizonte, que, cada vez mais, tem saído
da toca gay e se arriscado a frequentar bares
e baladas, até então, tidos como heterossexuais.

Essa situação foi vivida por Morais, que, curiosamente, parou de frequentar a cena gay assim que se assumiu homossexual. “Prefiro ir a
bares de rock, mas beijo meu namorado normalmente e nunca sofri nenhuma reação que me assustasse”.
Conforme avaliam clientes e empresários do setor, o fechamento de alguns bares e baladas gays, nos últimos 12 meses, que fizeram
fama na capital pode ter relação com essa aceitação maior que os homossexuais vêm tendo nos demais ambientes. E exemplos dessa
mudança não faltam. Entres os estabelecimentos que baixaram as portas total ou parcialmente aparecem Anda, no bairro Santo Antônio,
On Board, no Santa Agostinho – ambos na região Centro-Sul –, e Estúdio da Carne, no Santa Efigênia, na região Leste da capital.

Mudança. A proprietária do Anda, a empresária Denise Martins, aponta a possibilidade de o gay não mais ficar restrito aos guetos como
um dos fatores que minaram o sucesso do estabelecimento, que viveu dias áureos ao reunir até 600 pessoas, que se espremiam na
casa durante as noites de sábado no período entre 2002 e 2013. “O público gay está migrando muito para as casas heterossexuais. Hoje,
um casal homossexual senta em qualquer bar, e ninguém pode falar nada, por isso essa caída nos lugares gays”, avalia.

Com 20 anos de experiência no ramo, Denise viu como saída abrir o leque de possibilidades e também realizar eventos voltados ao
público heterossexual. “Agora o local só funciona esporadicamente, e também recebo eventos para o público hétero”, diz.

A empresária Elizabeth Rocha, dona do Villa Paraty, bar situado no bairro de Lourdes, na região Centro-Sul da capital, também sentiu no
bolso a mudança de comportamento do público gay. “Há dois anos e meio noto que o movimento vem caindo uns 40%, e não é só por
causa da crise”.

No ano passado, Elizabeth chegou a abrir o Afrodite, sua segunda casa do ramo, mas o objetivo de se tornar mais um point gay da cidade
não foi alcançado. “Lá abriu para ser gay, mas não pegou como queríamos. Acabou atraindo mais os héteros”, afirma.

Aceitação ainda está restrita

Ainda que clientes e empresários avaliem que gays estejam sendo mais aceitos em ambientes de frequência maciçamente
heterossexual, o professor Luiz Morando, pesquisador da memória LGBT da capital, entende que esse tipo de aceitação é restrito a
alguns lugares da cidade.

“Acho que é um mito essa visão de que o contexto atual estimula maior liberdade de convivência e compartilhamento de espaços entre
gays e não gays”.

Para ele, avanços que os homossexuais têm conquistado na área jurídica, como o reconhecimento da união civil, levam a uma conclusão
equivocada. “É uma fantasia achar que os gays estão sendo mais aceitos, pois, ao mesmo tempo, notamos uma onda contrária do
movimento religioso que atua no Legislativo”, argumenta.

O professor também critica o que seria uma interpretação balizada pela vivência na região mais nobre da capital. “Uma coisa é gays
andarem de mãos dadas na Savassi. Mas vai fazer isso na (avenida) Paraná”, diz.

Oferta de lugares gays em BH é das mais plurais

Ainda que alguns bares e boates gays tenham fechado as portas em Belo Horizonte, a cidade mantém uma vasta oferta de lugares
voltados à população LGBT. Segundo o site Guia Gay BH, cuja empresa responsável também atua em outras seis capitais brasileiras,
são cerca de 50 endereços, entre bares, cafés, restaurantes, saunas, cinemas e clubes de sexo.

O portal especializado não tem registrado nenhum fenômeno de fechamento em massa de lugares gays. Ao contrário, para Welton
Trindade, responsável pelo site, a capital mineira tem uma das cenas mais ricas e plurais do país.

“O centro atrai de gays adolescentes aos de 50 anos, a classe média vai para a Savassi, e o pessoal alternativo vai para o Maletta”, diz. Ele
afirma que a escolha do cliente de ir a um lugar de maioria homossexual não se resume ao gosto musical. “É toda uma cultura gay”,
conclui.


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